Casal morre ao tentar escapar de fogo

Desembargador e a mulher não conseguiram sair do apartamento onde moravam, no Leblon, e pularam da janela da área de serviço

HELOISA ARUTH STURM / RIO, O Estado de S.Paulo

05 Março 2013 | 02h07

O desembargador Ricardo Damião Areosa, de 57 anos, e sua mulher, a advogada Cristiane Teixeira Pinto, de 33, morreram domingo à noite, depois de pularem do apartamento onde moravam, no Leblon, zona sul do Rio, para escapar de um incêndio.

O casal morava na cobertura de um prédio de quatro andares e não conseguiu abrir a porta, que era blindada, para escapar do fogo. Eles tentaram então fugir pela janela da área de serviço e saltaram de uma altura de 16 metros. Areosa caiu em cima de um muro e morreu no local. Cristiane caiu sobre o toldo de um prédio vizinho e foi socorrida, mas morreu no Hospital Miguel Couto, vítima de traumatismo craniano.

De acordo com testemunhas, os bombeiros teriam chegado ao local somente 35 minutos depois do início do incêndio e os hidrantes da rua estariam sem água.

Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que a solicitação de socorro foi registrada às 23h24 no quartel da Gávea, também na zona sul, e a guarnição chegou ao local às 23h30. De acordo com os militares, quando a equipe chegou, o casal já havia saltado. Segundo os bombeiros, a porta blindada do imóvel - com quatro fechaduras - dificultou a entrada. A corporação também disse que, apesar do hidrante inoperante, foi captada água no prédio vizinho em quantidade suficiente para apagar o fogo.

As investigações são conduzidas pela 14.ª Delegacia de Polícia (Leblon). A delegada Flávia Monteiro, que investiga o caso, não descarta nenhuma hipótese sobre as causas do incêndio. De acordo com a Polícia Civil, o filho do desembargador prestou depoimento na noite de domingo e afirmou achar "difícil a hipótese de incêndio premeditado, porque o pai não tinha inimigos". A delegada esteve no local para acompanhar a perícia, que só aconteceu ontem.

De acordo com o Instituto de Criminalística Carlos Éboli, o laudo estará concluído em 15 ou 30 dias. A delegada ainda vai ouvir moradores e o porteiro.

A Defesa Civil vai realizar vistoria no prédio e identificar se houve dano à estrutura ou aos apartamentos vizinhos. Porém, o serviço será executado somente após o trabalho da perícia, para não prejudicar a integridade do local. A Defesa Civil aguarda a comunicação da polícia sobre a liberação para voltar ao prédio.

Areosa era desembargador do Tribunal Regional do Trabalho, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e autor de cinco livros, entre eles Processo do Trabalho - Teoria Geral do Processo Trabalhista e Processo de Conhecimento, de 2009.

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