Casal já gastou R$ 70 mil para fazer provas

Enquanto aguarda o resultado do Revalida deste ano, o casal Viviana Rubio Pulido, de 29 anos, da Colômbia, e Giraldo Velazquez Torres, de 30, de Cuba, está desempregado.

O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2013 | 02h06

Há três anos no Brasil, os dois, que se formaram na Fundación Universitaria San Martín, na Colômbia, dizem já ter gastado mais de R$ 70 mil em viagens para os Estados de Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás para tentar revalidar o diploma em universidades públicas. Agora, eles se preparam para ir para o Rio, para a prova da Universidade Federal Fluminense.

Os dois dizem que as provas para revalidação no Brasil são muito específicas. "É difícil passar, porque parece que você tem de ser especialista em todas essas áreas. São provas muito extensas também. Nós fizemos seis anos de faculdade - sendo quatro de prática e o último já como médico geral -, estamos habilitados para trabalhar em um hospital", diz Viviana.

Eles vieram ao País para viver em Caruaru, em Pernambuco. Os pais dele, médicos cubanos, tiveram seus títulos homologados no Brasil e se radicaram na cidade. São eles quem pagam as contas do casal. "Não temos como trabalhar, porque estamos nos empenhando para as provas. Só não passamos fome porque tem muita gente da família que nos ajuda", afirma Torres.

Médicos estrangeiros em condições semelhantes, impossibilitados de atuar no sistema de saúde brasileiro, acabam exercendo outras atividades enquanto tentam revalidar seus diplomas. "Eu poderia ter feito muitas especializações nesse tempo que estou no Brasil, mas trabalho no comércio para sustentar minha mulher e meu filho, brasileiros", afirmou um médico equatoriano, que vive no interior de São Paulo e preferiu não se identificar. / B.F.S.

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