Casal gay vai identificar suspeitos de agressão

Crime ocorreu na madrugada do dia 1º, na região da Avenida Paulista; polícia chegou aos suspeitos por meio de imagens de câmeras de posto

TATIANA PIVA , JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2011 | 03h01

Dois suspeitos de agredir um casal gay na região da Avenida Paulista no dia 1.° vão passar por reconhecimento hoje, às 13h, na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). Caso os suspeitos não apareçam, a identificação poderá ser feita por meio de fotos. O objetivo é que o analista fiscal Marcos Paulo Villa, de 32 anos, e o coordenador financeiro J. P., de 30, possam dizer se aquela foi a dupla que os atacou.

"O investigador do caso me ligou na sexta-feira para informar que precisaria comparecer ao Decradi para identificá-los. Não são religiosos, skinheads, nazistas, punks. São dois caras normais, playboys, com pinta de surfista", relata Villa, que diz não saber mais nada a respeito dos acusados de agressão.

A polícia chegou nos nomes de dois suspeitos por meio de imagens das câmeras da loja de conveniência de um posto de combustíveis perto do local do espancamento. Além disso, foi analisada a lista de nomes de frequentadores do Sonique Bar, na Rua Bela Cintra, casa noturna onde o casal e os agressores estiveram naquela noite. "Só espero que eles sejam condenados e que a pena ultrapasse as famosas cestas básicas."

O crime aconteceu na madrugada do dia 1.°. As vítimas estavam acompanhadas de garotas que não teriam dado atenção às cantadas dos agressores, ainda dentro da casa noturna. Na saída, a dupla começou a agredir verbalmente o casal. Após deixar as mulheres no estacionamento, Villa e o namorado perceberam que os suspeitos se aproximavam, em frente a um posto de gasolina. À polícia, as vítimas disseram que ouviram frases como: "Veado não merece viver, transmite doenças."

Nessa semana, J. P. sentiu dores de cabeça e voltou a ser internado no Hospital Nossa Senhora de Lourdes, no Jabaquara, zona sul. Os médicos constataram que ele teve traumatismo craniano e está com hemorragia cerebral. Por isso, ermanece internado em observação.

Protesto. Na noite de sábado, o coordenador financeiro recebeu uma ligação no hospital que o fez chorar de emoção. Eram amigos que participavam do protesto Todo Mundo Gay no Facebook, exatamente na esquina das Ruas Bela Cintra e Fernando de Albuquerque, onde aconteceu a agressão.

Na segunda-feira, o músico Willian Cavagnolli, 27 anos, amigo há quase dez anos de uma das vítimas, criou um evento na rede social para convocar uma manifestação contra o crime. Por volta das 23 horas de sábado, gays e héteros acenderam velas e jogaram purpurina no local da agressão. Segundo a organização, cerca de 500 pessoas participaram, número não confirmado pela Polícia Militar.

"Foi uma manifestação silenciosa e pacífica contra a violência em geral", conta Cavagnolli, que pretende repetir a manifestação em todas ruas que um gay for agredido.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.