Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Casal gay é espancado na área da Avenida Paulista

Dois homens perseguiram as vítimas e as agrediram depois que elas deixaram um bar

ADRIANA FERRAZ, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2011 | 03h01

Um casal de gays afirma ter sido agredido com socos e pontapés na madrugada de anteontem na região da Avenida Paulista, no centro de São Paulo. Segundo o analista fiscal Marcos Paulo Villa, de 32 anos, e o namorado, o supervisor financeiro J.P., de 30, as agressões foram praticadas por dois homens que não aparentavam pertencer a nenhum grupo de intolerância.

O caso foi na frente do restaurante Mestiço, na Rua Fernando de Albuquerque. J.P. teve a perna direita fraturada em dois pontos."Eram mais de quatro da manhã. A gente tinha acabado de sair do Sonique Bar, na Rua Bela Cintra. Eles nos seguiram até um posto de gasolina e, na loja de conveniência, começaram a nos chamar de 'viados' e dizer que tínhamos de morrer", lembra Villa. "Depois, do outro lado da rua, um dos agressores partiu para cima de mim e o outro começou a bater no meu namorado, que caiu desacordado depois de tomar um chute na cabeça. Fiquei desesperado. Achei que ele tivesse morrido", conta.

De acordo com as vítimas, os agressores também estavam no bar. "Eles tentaram se aproximar de duas amigas nossas, mas nem chegamos a conversar. Não houve discussão nenhuma. Depois, na saída, foram atrás da gente", relata. "No começo, tentei argumentar. Disse que eles eram jovens e poderiam, um dia, ter um filho gay. Mas parece que saíram de casa para arrumar briga mesmo", diz o analista fiscal.

O casal, que está junto há quatro anos, mora na região da Paulista e foi socorrido por amigos.

"Os policiais nem foram atrás. Disseram que não daria para identificar os agressores porque não tinham estereótipo de punk ou skinhead. Mas nós também não temos estereótipo de gays", afirma J. P. "Estamos sempre na nossa, sem chamar a atenção, com medo de passar por uma situação absurda dessas."

Imagens. As vítimas registraram boletim de ocorrência ontem, no 78.º DP, nos Jardins, e foram orientadas a procurar hoje a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), que não funciona nos fins de semana. O casal espera que as câmeras de segurança da região tenham filmado a ação e que as imagens possam ser usadas para identificar os agressores.

Os dois ainda reclamavam de dores ontem. Villa tinha hematomas na nuca e nas pernas. Com a perna direita enfaixada, J.P. precisava de ajuda para poder andar e estava com um ferimento nos lábios. Ambos foram submetidos a exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal.

"A gente incentivou que eles fizessem essa denúncia porque isso é uma intolerância", afirma Alessandra Marquetin, de 32 anos, amiga que acompanhou o casal na delegacia. "Não é possível nos dias de hoje que uma pessoa seja agredida por causa de sua opção sexual. Temos que lutar contra a impunidade."

Até a noite de ontem, os agressores não haviam sido identificados. A investigação deve começar hoje. "Tudo foi em poucos minutos. Não ouvimos nomes. Só deu para perceber que eles têm entre 25 e 30 anos", diz Villa.

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