Casal gay é achado morto em Alagoas

Corpos estavam em canavial em avançado estado de decomposição; delegado disse acreditar em motivação homofóbica para o crime

ANTÔNIO CARLOS GARCIA, ESPECIAL PARA O ESTADO , ARACAJU, O Estado de S.Paulo

12 Abril 2012 | 03h04

Um casal gay foi encontrado morto em um canavial na cidade de Rio Largo, na Região Metropolitana de Maceió. Márcio Lira Silva e Eduardo, cujo sobrenome não foi divulgado, estavam desaparecidos desde 28 de março, quando foram vistos pela última fez no bairro Vergel, na periferia da capital, onde moravam. Os dois corpos estavam com os olhos perfurados e os dedos das mãos cortados.

O delegado de Rio Largo, Antonio Edson Souza Oliveira, disse que somente depois da conclusão do laudo do Instituto Médico-Legal (IML) saberá se as perfurações foram criminosas ou se algum animal atacou os corpos das vítimas. Os cadáveres já estavam em avançado estado de decomposição.

Oliveira, no entanto, já disse acreditar que o assassinato de Silva e Eduardo tenha motivação homofóbica.

O delegado admitiu que a investigação será bastante difícil, porque, de acordo com Oliveira, os rapazes possivelmente foram interceptados em Maceió, onde desapareceram. Os corpos teriam sido apenas abandonados na área rural de Rio Largo. "Foi uma desova", disse o delegado, usando o jargão policial que indica que as mortes aconteceram em um local e os corpos foram abandonados em outro.

De acordo com Oliveira, os parentes prestaram queixa do desaparecimento do casal em uma delegacia de Maceió. Somente ontem, porém, depois de buscas em hospitais da região metropolitana, foram ao IML, quando tomaram conhecimento de que dois corpos haviam sido encontrados em um canavial.

"Os corpos foram recolhidos como indigentes, sem identificação. As famílias reconheceram os dois apenas no IML", disse o delegado.

Márcio Lira, que era pai de santo na comunidade onde vivia na capital, e Eduardo tinham um relacionamento de longa data, contou o delegado. O casal levava uma vida pública. Os dois haviam programado uma viagem de férias, segundo informações de amigos e familiares à polícia.

Repercussão. O presidente do Grupo Gay de Alagoas (GGAL), Nildo Correia, disse que está acompanhando o caso e lamentou que mais um casal homossexual tenha morrido no Estado.

Somente neste ano, foram registrados nove casos de assassinatos de cunho homofóbico em Alagoas. "Dos homossexuais que morreram até agora, três eram travestis e seis, gays. O mais novo deles tinha 16 anos e foi assassinado na cidade de Pilar", contou Correia.

No ano passado, 21 homossexuais foram mortos. Segundo Correia, Alagoas é um dos Estados mais violentos do Nordeste. Apesar dos ataques, ele disse que as denúncias continuarão a ser feitas. "Não vamos baixar a cabeça, para que mais esse crime não caia no esquecimento."

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