Casal é solto na Dutra depois de sequestrador capotar carro

Eles eram levados para o Rio, onde seriam mortos, enquanto filho ficou no cativeiro; rapaz teria reconhecido bandidos

ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2012 | 03h02

O sequestro de uma família de Cruzeiro, a 227 km de São Paulo, por pouco não terminou em tragédia ontem. Dois integrantes da quadrilha são militares do Tiro de Guerra da cidade.

O casal Celso Ernesto dos Santos, de 53 anos, e Dalva Ribeiro Leite, de 52, e o filho deles Emerson dos Santos, de 25, foram surpreendidos anteontem à tarde por cinco homens encapuzados que invadiram a casa e anunciaram um assalto. Em seguida, após nove horas de agressões e ameaças, o casal foi colocado amarrado no porta-malas do carro em direção ao Rio, onde seria morto, segundo a polícia.

O casal só conseguiu escapar após o veículo em que estavam capotar, por volta das 3h, na Via Dutra, na Serra das Araras, já no Estado do Rio.

Três bandidos estavam no carro roubado e fugiram abandonando as vítimas feridas no porta-malas. Muito ferido, o casal foi resgatado após agentes do Batalhão de Polícia Rodoviária do Rio encontrarem o veículo.

A polícia localizou um dos bandidos a 3 km do local do acidente. Gabriel Gustavo Pereira, de 19 anos, foi preso com ferimentos e marcas de sangue. Pela manhã, outros dois criminosos foram localizados. Eduardo Silva Julião Paiva, de 19 anos, e Cleison Junior de Oliveira, 26, desciam a serra a pé, pela mata, quando foram presos perto da cidade de Paracambi. Cleison Júnior teve de passar por cirurgia.

Cárcere. Além deles, outros dois integrantes da quadrilha permaneceram em Cruzeiro, onde mantiveram o filho do casal em cárcere privado, amarrado e amordaçado por mais de 12h. Após a prisão dos envolvidos, a polícia foi acionada e invadiu a residência. Um dos criminosos foi preso e outro fugiu. Com eles foram encontradas uma arma de brinquedo, duas facas e munições de fuzil, de uso exclusivo do Exército. Cleison Júnior e o suspeito foragido eram militares do Tiro de Guerra no quartel de Cruzeiro.

De acordo com o delegado titular de Piraí, Marcelo Haddad, os criminosos teriam usado drogas e consumido álcool quando iniciaram a ação e não tinham planejado o sequestro. O objetivo seria roubar objetos de valor e dinheiro da família para comprar drogas. Eles fizeram saques em Cruzeiro e planejavam fazer novas retiradas no Rio antes de matar o casal.

A polícia apura também se os sequestradores estavam interessados em uma quantia que Santos receberia por se aposentar. A família, porém, é de classe média e não tem muitos bens. "Eles decidiram matá-los porque foram reconhecidos pelo filho. Eles eram amigos do bairro e, mesmo com o capuz, ele conseguiu reconhecer a voz de um dos bandidos", afirmou o delegado./ COLABOROU W.C.

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