Casal e laudo mudam apuração de morte na Pedra da Macumba

O depoimento de um casal e um laudo médico-legal provocaram uma reviravolta na investigação da morte de Geralda Lúcia Ferraz Guabiraba, de 54 anos, ocorrida em 14 de janeiro, em Mairiporã, na Grande São Paulo. As testemunhas relataram que viram cachorros mordendo o rosto da dona de casa, o que explicaria as lesões encontradas na face. O resultado preliminar do laudo mostra que o sangue da vítima tinha vestígios de veneno de rato, conhecido como chumbinho.

ADRIANA FERRAZ, O Estado de S.Paulo

24 Março 2012 | 03h06

Com base nos novos indícios, as teses de vingança e magia negra - o corpo foi encontrado na Estrada Santa Inês, em um local conhecido como Pedra da Macumba -, passaram a ser tratadas de forma secundária. As investigações tomaram novo rumo, para suicídio, há 15 dias, quando o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) assumiu o caso.

"Fomos atrás do registro da ligação feita à Polícia Militar. Isso é rotina, sempre que iniciamos uma investigação ouvimos as pessoas que relataram o fato. É uma providência básica e esse casal ainda não tinha prestado depoimento", disse Jorge Carrasco, delegado do DHPP.

Anteriormente, quando o caso era apurado pela delegacia de Mairiporã, somente homicídio era cogitado, baseado em uma perícia que apontou um corte no pescoço como a causa da morte da dona de casa. Por dois meses, a delegada Cláudia Patrícia Dalvia ouviu parentes, amigos e até um pai de santo para tentar esclarecer a morte. Mas não convocou o casal que acionou a polícia.

"Fiz o possível, mas não recebi essa informação (a presença dos cães ao lado do corpo). Agora, não respondo mais pela investigação", disse a delegada.

A morte da dona de casa virou um mistério para a polícia por uma série de aspectos ainda não respondidos. Além de estar com o rosto desfigurado, Geralda foi até a Pedra da Macumba dirigindo. O carro estava aberto, ao lado do corpo e com a chave no contato quando a polícia chegou. No interior do veículo, foi encontrada uma garrafa com um líquido branco.

Perícia feita no computador de Geralda ainda revelou que ela havia feito pesquisas sobre chumbinho e assistido a vídeos sobre mortes violentas. A dona de casa tinha histórico de depressão e havia suspendido o tratamento pouco tempo antes de morrer.

Segundo a polícia, as novas provas ajudam a decifrar o caso, mas nenhuma hipótese é descartada.

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