Casal é indiciado por maus-tratos de garoto que morreu em SP

Decisão surpreendeu, já que delegada tratava caso como homicídio; mãe e padrasto agrediram o menino juntos

Brás Henrique, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2008 | 20h33

A delegada Maria Beatriz Campos Moura, do Setor de Homicídios, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), de Ribeirão Preto, recebeu no final da manhã desta quinta-feira, 28, o laudo de 60 páginas sobre a morte do menino Pedro Henrique Marques Rodrigues, de 5 anos, ocorrida em 12 de junho. À tarde ela ouviu a mãe e o padrasto do menino e os indiciou por maus-tratos, que prevê pena de 4 a 12 anos de prisão.   Veja também: Maus-tratos causaram morte de menino em SP, diz IML Juíza nega prisão a casal suspeito de matar menino Após exames, corpo de garoto é sepultado   A atitude surpreendeu, pois a delegada tratava o caso como homicídio. Ela se baseou no laudo, que ficou pronto depois de mais de dez exames. O laudo indicou que o menino morreu por embolia gordurosa pulmonar, provocada por fraturas (no braço e no pulso), ou "síndrome da criança espancada". O corpo de menino apresentava 65 marcas, vítima de apertões, tapas e sacudidas violentas.   Durante as investigações, Maria Beatriz até pediu a prisão temporária da mãe Kátia Marques e do padrasto Juliano Gunello, mas a Justiça indeferiu, considerando falta de provas para tal medida. Mãe e padrasto alegam que o menino ingeriu um produto químico usado para tirar manchas de roupas, mas o laudo informa que tal substância não foi encontrada no estômago do garoto. O laudo indica que o menino tinha fraturas nas costelas ocorridas entre duas e três semanas antes da morte, além de que o punho direito tinha lesão até quatro horas antes da morte e do atendimento.   A informação da morte por embolia gordurosa pulmonar devido a fraturas já havia sido anunciada pelo diretor do Instituto Médico-Legal (IML), José Eduardo Velludo, em 18 de junho. Isso ocorreu em entrevista coletiva com a delegada Maria Beatriz, logo após a Justiça indeferir os pedidos de prisões do casal. Vizinhos disseram à polícia que o menino sofria maus-tratos. O corpo de Pedro Henrique foi exumado pouco depois do sepultamento, para novos exames periciais. A juíza que indeferiu a prisão do casal citou que não havia prova técnica de crime.

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