www.facebook.com/tatitbrandao
www.facebook.com/tatitbrandao

Casal de mulheres sofre preconceito em padaria na zona oeste de SP

Namoradas relataram terem sido advertidas por funcionária do estabelecimento que também é homossexual

Sara Abdo, O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2017 | 07h49

SÃO PAULO - Na última sexta-feira, 22, um casal de namoradas relatou ter sofrido preconceito em uma padaria no bairo de Perdizes, zona oeste de São Paulo. As namoradas teriam sido advertidas por uma funcionária também homossexual, que lhes pediu para pararem de se abraçar. 

O relato foi publicado no perfil da rede social da jornalista Tatit Brandão, que namora Laura Baruffaldi. Segundo Tatit, a funcionária que as abordou contou que dois clientes reclamaram do casal ao gerente. A atendente afirmou também ser homossexual, desde os 11 anos. "O gerente pediu pra eu vir aqui falar com vocês porque ele sabe que eu sou gay".

Em entrevista ao Estado, a agora ex-cliente da padaria Delícia de Perdizes disse que foi o primeiro relato de lesbofobia que fez. "O intuito foi incentivar outras pessoas a denunciarem essas situações de constrangimento por conta de orientação sexual. Isso não pode mais continuar acontecendo".

Tatit também denunciou o assédio moral contra a atendendente. "A funcionária recebendo uma ordem do chefe não está em posição de argumentar, nem discutir, nem se negar a nada, ainda que a ordem seja oprimir pessoas iguais a ela, e a si mesma". "Os donos de estabelecimentos têm a responsabilidade de treinar seus funcionários em relação a como lidar com o preconceito dos clientes lesbofóbicos/homofóbicos", continua a jornalista 

O caso ganhou proporções nas redes sociais, e a padaria, próxima à avenida Afonso Bovero, publicou carta de retratação. "Queremos nos retratar publicamente com o casal Tatit Brandão e Laura M Baruffaldi. Por elas terem passado pela degradante situação de se sentirem erradas, quando não fizeram nada mais que demonstrar o sentimento que sentem uma pelo outra".

O estabelecimento também respondeu às acusações de assédio moral contra a atendente. "A culpa não é da funcionária que as abordou. A culpa é da Delícia de Perdizes."

Tatit não voltou a encontrar a funcionária porque não voltou à padaria. "Somos totalmente solidárias a ela, desde o momento em que nos abordou e percebemos que estava sendo ainda mais oprimida do que nós, pela padaria."

Mais conteúdo sobre:
assédio moralhomossexualidade

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.