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Casal de bolivianos é assassinado a facadas na zona leste de São Paulo

Acusado do crime é foragido da justiça por atentado ao pudor desde 2009

Laura Maia, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2013 | 19h32

Um casal de bolivianos foi assassinado a facadas por um vizinho na última quinta feira, dia 17, em Itaquera, zona leste da capital paulista. Carmen Ramos Flores, de 21 anos, e Grover Huanca, de 25 anos, moravam legalmente no país há cerca de quatro anos e tinham um filho de três anos que sobreviveu.

O acusado de ter cometido o crime, Tarciso José Bezerra, 51 anos, é foragido da justiça desde 2009, quando foi condenado a seis anos de prisão por atentado violento ao pudor, cometido em 2002. Atualmente, ele morava em uma casa ao lado do casal, que já havia feito registro de ocorrência contra ele por injúrias e pertubação da tranquilidade no final de agosto.

Segundo o delegado titular do Distrito Policial de Artur Alvim (65ºDP), Luiz Antonio da Cruz, o acusado já havia sido intimado a depor. “Como Tarciso não compareceu a delegacia, policiais estiveram em sua residência, na última quarta-feira, para entregar a intimação e colher informações, mas não o encontraram”, disse. Ainda de acordo com o delegado, não foi possível verificar que ele era foragido apenas por meio do nome do suspeito. “Já pedi a prisão temporária de 30 dias para que possamos concluir a investigação. O mais importante agora é prendê-lo.”, disse.

Crime. Na quinta-feira, Carmen saiu por volta das 16h para comprar pão e, ao voltar, foi surpreendida pelo vizinho que a segurou pelo pescoço. De acordo com Maria Claudia Condori, de 19 anos, irmã de Carmen que testemunhou o crime, Grover saiu de casa ao ouvir os gritos da mulher e tentou defende-lá, mas foi golpeado com uma faca no peito.Carmen, que havia sido jogada no chão, levantou e pediu socorro, mas Tarciso também a esfaqueou. Ela morreu no local. Grover chegou a ser levado para a Casa de Saúde Santa Marcelina, mas não resistiu.

“Foi horrível. Eu corri paraproteger meu sobrinho de três anos, que viu tudo”, afirmou Maria Cláudia.

Segundo a advogada da família, Patrícia Vega, os corpos foram liberados ontem e devem seguir para La Paz na quarta-feira.

Comunidade Boliviana. A comunidade ficou revoltada com mais um crime contra bolivianos em São Paulo. “Minha mãe me ligou pedindo para eu voltar ao nosso país porque aqui em São Paulo há muita violência”, disse a costureira Rosia Huanca, que mora no Brasil há 10 anos e é prima de Grover . “Vamos entrar com uma ação contra o estado, uma vez que esse homem era foragido da justiça”, acrescentou.

Uma das líderes da comunidade, Cândida Lopez, de 33 anos, afirmou que falta assistência do consulado boliviano em São Paulo. “Saímos de nosso país com a esperaça de uma vida melhor. Eles precisam nos ouvir e saber o que está acontecendo”, disse.

De acordo com a advogada Patrícia Vega, o consulado está arcando com 60% dos custos do embalsamento e a comunidade boliviana conseguiu os outros 40% por meio de colaboração. Ainda segundo a advogada, a irmã de Carmen voltará ainda esta semana à Bolívia com a criança para entregá-la aos avós. “É muito importante que ela volte, pois Maria Claudia é a única testemunha ocular do crime.”, afirmou Patrícia.

 

Serviço. Tarciso José Bezerra segue foragido, quem tiver qualquer informação deve ligar para o Dique Denúncia180.

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