Casal condenado à morte por 'tribunal' do PCC escapa e polícia prende bando

Traição teria motivado condenação; polícia entrou em imóvel onde acontecia o tribunal, em São José do Rio Pardo

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2017 | 22h10

SOROCABA - Um rapaz de 30 anos e uma jovem de 22 foram condenados à morte por um 'tribunal' da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), nesta segunda-feira, 28, em São José do Rio Pardo, interior de São Paulo, mas escaparam. A jovem era namorada de um integrante em posto de liderança na facção e foi acusada de traí-lo com o rapaz. Antes do julgamento, os dois tiveram os cabelos raspados com tesoura e estilete, como uma forma de humilhação. Os seis membros do tribunal - cinco homens e uma mulher - foram presos.

O tribunal do crime acontecia em uma casa, no condomínio São José, na periferia da cidade. A Polícia Civil foi até o local depois de receber uma denúncia anônima. Os policiais entraram no imóvel e prenderam o bando quando a sentença de morte já estava decidida, segundo as vítimas. O rapaz e a jovem foram sequestrados em suas casas e levados para o local. O imóvel pertence a um dos integrantes da facção que participava do julgamento. À chegada da polícia, o rapaz correu em direção aos policiais pedindo ajuda. A garota estava em estado de choque.

Outros dois integrantes do grupo conseguiram fugir - um deles estava armado. Os cinco homens foram levados para a Cadeia Pública de Casa Branca. A mulher ficou presa em Tambaú. A polícia apreendeu um carro usado no sequestro das vítimas.

Execução. A Polícia Civil de São José do Rio Preto prendeu, nesta terça-feira, 29, três homens e uma mulher suspeitos de participar de um tribunal do crime que julgou e executou um homem, em julho, em uma casa do bairro Nova Esperança, em São José do Rio Preto. A vítima foi acusada pela mulher de ter molestado sexualmente a filha caçula. A polícia apurou que o homem morto tinha descoberto uma traição da esposa e que a filha era de outro homem.

A acusação de abuso sexual teria sido inventada pela mulher para encobrir a traição e se vingar do marido, que a deixara. Ela chegou a registrar um boletim de ocorrência na Polícia Civil. A informação chegou a membros do PCC que decidiram julgar o homem - violência sexual contra criança é punida com a morte pela facção. De acordo com a Polícia Civil, um dos acusados do assassinato seria o pai verdadeiro da menina. No carro dele, foram encontradas manchas de sangue. O material foi enviado para exame.

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