Casa tinha rotina tranquila e discreta, relatam vizinhos

Conhecidos contam que Buffolo frequentava residência da psicóloga Silvia havia 1 ano e meio. Nunca houve brigas

O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2012 | 08h42

Entre vizinhos e colegas, o administrador de empresas Fernando Behmer Cesar de Gouveia Buffolo, de 33 anos, e a psicóloga Silvia Godin, de 44, eram conhecidos por serem bastante reservados. O mecânico Hidday da Costa Bastos, de 60 anos, surpreendeu-se quando viu as pessoas baleadas, cheias de sangue, na frente de sua oficina.

Bastos contou que é um apreciador de artes e música e gosta de pinturas, assim como a psicóloga. Isso os aproximava. "Ela saía cedo para o trabalho. Com ele, eu conversa sobre carros, até sobre um que estou restaurando aqui", disse.

Segundo o mecânico, o rapaz frequentava a casa da psicóloga havia um ano e meio. Para ele, os dois pareciam namorados.

O programador Demian Escobar, de 32 anos, mora a cerca de 50 metros da casa da psicóloga e acordou com os três primeiros disparos. "Saí para ver o que tinha acontecido e, daí, veio mais um disparo, de um calibre maior, parece que da (espingarda calibre) 12", disse.

Assustado, o programador tentou proteger-se. "Vi gente sair correndo, com sangue, e entrei em casa", afirmou. Segundo ele, o administrador e a psicóloga pareciam ser "pessoas normais". "Nunca vi brigarem com ninguém na rua, nada disso."

O comerciante Autran Oliveira, de 26 anos, conheceu Buffolo quando divulgava os ideais do budismo no bairro. Os dois se tornaram muito próximos e o administrador chegou a frequentar algumas reuniões. Recentemente, porém, estava bastante arredio e se mostrava distante dos amigos. "Desde julho, ele não trabalhava mais. Ninguém mais o via na rua, ficou trancado na casa dessa mulher", disse Oliveira.

Transtorno. O cerco policial e a presença da imprensa também alteraram a rotina dos moradores da Aclimação. "Tem barulho de helicóptero sobrevoando desde manhã. Acho um pouco exagerado tudo isso", afirmou a funcionária pública Denise Rodrigues, de 57 anos.

Naiara Brito, de 20, chegou cedo a um pet shop na Rua Castro Alves para trabalhar. Foi embora no meio da tarde por falta de clientes. "Não apareceu ninguém. Não dava para chegar", disse. O comerciante Carlos André Monteiro, de 52, estava mais conformado. "Em vista do que está acontecendo, é inevitável essa confusão." / ARTUR RODRIGUES E WILLIAM CARDOSO

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