Casa noturna paga táxi e até valet do cliente. Poucos aceitam

Em um dos locais visitados, enfermeira diz fazer 40 atendimentos de gente com 'sinais vitais prejudicados' por noite

O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2011 | 03h03

Para evitar o pior, algumas casas noturnas oferecem apoio ao baladeiro que não tem condição de assumir o volante. No Josephine SP, que fica no Itaim, por exemplo, o promoter Jece Valadão Filho, de 23 anos, afirma que a casa se oferece para pagar o táxi ou o pernoite do carro do cliente no valet. De acordo com Valadão, os casos não são poucos - ainda assim, a iniciativa não alcançou muito sucesso. "Só um ou outro aceita. A maior parte teima em pegar o carro. A gente não pode obrigar ninguém a nada."

No Villa Country, há uma enfermaria improvisada e, para casos mais graves, uma ambulância à disposição. O segurança informa que, no momento, cinco frequentadores estão sendo atendidos e, por isso, "o encarregado não pode dar entrevista". O gerente (que prefere não se identificar) não acha uma boa ideia - para a imagem da casa - falar sobre alcoolismo com a imprensa. No fim do mês passado, ao sair dali, o universitário Felipe de Lorena Infante Arenzon, de 19 anos, envolveu-se em uma série de acidentes em um percurso de 10 km, deixando quatro feridos e um morto.

A enfermeira Aline Guilherme, da Medic Star, que presta serviços para a casa, diz que são feitos cerca de 40 atendimentos por noite. "É comum aparecer gente com os sinais vitais prejudicados, mas sempre tem um amigo menos bêbado que garante que pode levar o carro do outro. A gente não tem como controlar", diz.

Questão cultural. Especialistas afirmam que, mais do que remediar, é preciso tocar no assunto sempre, para incutir a cultura da responsabilidade. "A família tem um papel muito importante. Não adianta colocar a cerca depois do assalto", diz a ortopedista e professora da Faculdade de Medicina da USP Julia Greve. Segundo ela, os números de mortes por alcoolismo no trânsito deram uma diminuída com a divulgação maior da lei seca, "mas durou pouco".

Na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), que acolhe também vítimas de acidentes de trânsito e violência urbana, informa-se que 40% desses casos estão ligados diretamente ou indiretamente ao álcool. "A cada semana aparecem quatro novos casos de lesão medular", diz o presidente, Eduardo Almeida Carneiro.

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