CASA GODINHO É O 1º BEM IMATERIAL DE SP

Mercearia centenária no centro foi declarada patrimônio cultural por ainda manter atendimento no balcão e características dos antigos empórios

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2013 | 02h04

Inaugurada em 1888 no centro de São Paulo, a Casa Godinho foi declarada patrimônio cultural imaterial da cidade. A resolução do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp), publicada ontem no Diário Oficial da Cidade, leva em conta que o estabelecimento "ainda mantém o sistema de atendimento ao cliente no balcão, direto e pessoal, característico dos antigos empórios de secos e molhados".

É a primeira decisão do Conpresp que torna patrimônio da cidade um bem imaterial. Na fila para ganhar o mesmo status da Casa Godinho estão o sotaque da Mooca e o Derby Paulistano, cujos pedidos para se tornarem bens imateriais seguem sob análise do órgão municipal.

As prateleiras de imbuia do século 19 e o clima de armazém tornam a Casa Godinho um lugar único. Quem deixa a movimentada calçada da Rua Líbero Badaró e entra na mercearia, instalada desde 1924 no térreo do Edifício Sampaio Moreira, parece mudar de época. Balconistas acompanham clientes da escolha dos produtos ao pagamento. Balanças de prata são usadas para pesar castanhas.

São essas características de armazém que agora precisam ser preservadas. O pedido para que o comércio se tornasse bem imaterial foi feito ano passado pela pesquisadora Fatima Martin Rodrigues Ferreira Antunes, da USP. O imóvel onde fica a mercearia também está em processo de tombamento desde 2009 - o Edifício Sampaio Moreira, com 13 andares, foi um dos primeiros arranha-céus da capital.

Dono da Casa Godinho há 19 anos, Miguel Romano, de 54 anos, diz nunca ter pensado em mudar o atendimento e o visual do empório. "Mesmo após a informatização, resolvemos manter as prateleiras antigas, o atendimento direto no balcão. É a graça do lugar."

Para o vereador e ex-secretário de Estado da Cultura Andrea Matarazzo (PSDB), a resolução do Conpresp valoriza a importância do centro. "A Casa Godinho manteve suas origens", afirma. Ele criou uma norma em 2011 que permite o tombamento de bens imateriais no Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) do governo do Estado.

História. Na Casa Godinho, a estrela sempre foi o "legítimo e único" bacalhau da Noruega. Por semana, são vendidos 50 quilos. O novo proprietário também incluiu no cardápio oito tipos de empadas vendidas no balcão - uma das mais pedidas é a de alheira, um embutido de porco, pão e alho.

O estabelecimento foi aberto em 1888 na Praça da Sé pelo português José Maria Godinho. Com 38 anos de funcionamento, a Casa Godinho mudou com móveis e tudo para a Líbero Badaró, onde permanece até hoje. / COLABOROU RODRIGO BRANCATELLI

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