'Casa está na família há gerações', diz viúva

O processo para desapropriação e restauro da Fazenda Paraopeba pode se transformar em um embate jurídico. Para escapar da devassa feita pela Coroa portuguesa, o inconfidente Inácio José de Alvarenga Peixoto passou a fazenda para o nome de seu cunhado e, posteriormente, para seu sogro. Com o passar dos anos, a propriedade chegou às mãos de Amadeu Gonzaga, morto há dois anos.

O Estado de S.Paulo

20 Abril 2012 | 03h01

Hoje, vivem no terreno de 16 alqueires (cerca de 774 mil m²) a viúva Elísia Pinto Gonzaga, de 60 anos, e seus dois filhos. A família fica na parte "nova" da fazenda, um anexo construído em 1863. Mesmo com a casa ameaçando ruir, Elísia quer ficar no local. Em parte por causa da história que a propriedade carrega e que a faz "se sentir importante". Mas também, segundo ela, por tudo que passou nos 40 anos em que vive no lugar. "A casa está na família há várias gerações."

Ela conta que o marido tentou reformar parte da casa, mas a obra foi embargada duas vezes por causa do risco de descaracterização do imóvel. "Não deixaram mexer." Hoje, Elísia cria vários animais na propriedade e afirma que, além de ter de se desfazer deles, acha que o valor da indenização, R$ 600 mil, segundo o Ministério Público Estadual (MPE), é baixo.

Segundo o promotor Glauco Peregrino, o mais urgente é iniciar o processo de escoramento, para evitar que o imóvel desabe, o que já pode ser feito com o processo de desapropriação. Ele observou, porém, que a família de Elísia pode recorrer ao Judiciário. "Se houvesse condição, a família ou o município poderiam fazer a restauração. Mas não há, e o importante é que a fazenda seja preservada."

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