Casa demolida na Cracolândia será reerguida

Imóvel de mais de cem anos era protegido, mas foi derrubado pela Prefeitura em ação anticrack

RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2012 | 03h09

No fim de janeiro, durante o auge da ação policial para reprimir o tráfico e o consumo de drogas na cracolândia, no centro de São Paulo, a Prefeitura decidiu demolir seis imóveis que eram utilizados pelos dependentes químicos. Um deles era um casarão histórico com provavelmente mais de um século de existência e que, como o Estado revelou, estava sob proteção do órgão de patrimônio municipal - ou seja, não poderia ter sido modificado. Para reparar o dano ao casarão, a Secretaria Municipal de Cultura vai elaborar um plano para a reconstrução e a preservação do imóvel.

O que sobrou da casa fica na Alameda Dino Bueno, 118. O local abrigou por décadas o antigo Hotel Rio Jordão. Quando ele fechou, há cerca de três anos, o imóvel foi tomado por usuários de crack. Há duas semanas, a Prefeitura retirou os ocupantes do local e demoliu todo o interior, com a justificativa de que o prédio estava com a estrutura comprometida e poderia desabar. Só sobrou a fachada.

Construído na virada do século 19 para o 20, o casarão foi alvo de abertura de estudos de tombamento pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp) em 1992. Isso significa que o órgão reconheceu a importância histórica do casarão e que iria estudá-lo para decidir se ele seria tombado ou não. Enquanto a decisão não saísse, o imóvel não poderia ser modificado sem autorização.

A demolição sofreu críticas de especialistas. "A decisão foi criminosa, não existe outra palavra. Demolir um prédio sob estudo de tombamento é crime previsto na lei ambiental. O bairro Campos Elísios é um dos mais históricos da cidade, e merecia destino melhor", afirma Jorge Eduardo Rubies, presidente da Associação Preserva São Paulo.

Segundo o Estado apurou, até técnicos da Secretaria de Cultura mostraram descontentamento com a demolição. Agora, a pasta terá 30 dias para apresentar um plano de recuperação. A Prefeitura ainda não decidiu qual modelo de preservação vai adotar e se vai desapropriar o imóvel para transformá-lo em algum equipamento cultural.

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