Cartilha alerta: voar pode fazer mal à saúde

Conselho de Medicina lista principais riscos durante as viagens aéreas

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

O Conselho Federal de Medicina (CFM) vai divulgar hoje um manual para médicos, passageiros, agências de viagem e companhias aéreas sobre as contraindicações das viagens aéreas.

"A combinação entre voos e algumas doenças muitas vezes é perigosa. É preciso que todos estejam atentos para evitar problemas", afirmou o coordenador da Câmara Técnica de Medicina Aeroespacial do CFM, Frederico de Melo.

Para se ter uma ideia, em 2008 foram registrados 80 casos de morte súbita durante voos no território brasileiro.

Melo observa que uma série de fatores contribui para o aumento do risco para alguns pacientes: alteração da rotina do uso de remédios, imobilidade e o tempo de voo, entre outros.

"Além disso, há um aumento do número de casos de pessoas que viajam para receber tratamento médico. O retorno tem de ser acompanhado de muito cuidado", destaca.

O coordenador reconhece que nem todos os médicos estão familiarizados com os riscos que o voo pode trazer a seus pacientes. "É preciso que os profissionais tenham uma postura mais ativa. Que, por exemplo, no período pós-operatório toquem no assunto de viagem e esclareçam sobre riscos existentes", completou o coordenador.

Na lista de passageiros que não devem viajar estão pessoas com infecções pulmonares contagiosas, como tuberculose ou pneumonia. "Além de o voo poder agravar os sintomas, há o risco de disseminação da doença para outros passageiros", explicou o coordenador.

Pessoas com quadros graves ou que acabaram de ser hospitalizadas por causa de asma brônquica também não devem embarcar nos aviões.

Coração. Entre os portadores de doenças cardiológicas, não devem voar, por exemplo, aqueles com insuficiência cardíaca grave. Em outros casos, basta aguardar um determinado período por segurança. Quem sofreu enfarte, por exemplo, deve esperar até seis semanas antes de embarcar. Mesmo em casos de quem sofreu fraturas é preciso um cuidado maior por parte do passageiro.

"O manual não tem a pretensão de substituir o médico. A ideia é apenas chamar a atenção para o problema", observou Frederico de Melo.

Entre as recomendações gerais feitas pelo Conselho estão: não esquecer de levar a medicação prescrita pelo médico em quantidade suficiente para ser usada durante a viagem e deixá-la sempre por perto. Em caso de mudança de fuso horário, o ideal é que o médico seja sempre consultado para verificar se há necessidade de mudança no horário do uso do remédio.

Íntegra. A íntegra do manual com as contraindicações a pacientes em viagens aéreas está disponível no site do Conselho Federal de Medicina: www.portalmedico.org.br.

RECOMENDAÇÕES

Gestantes

Mulheres que apresentam dores e sangramento não devem embarcar. Depois do parto normal não há restrições.

Epilepsia

A maioria pode viajar, desde que esteja sob medicação. Quem sofre crises frequentes deve viajar acompanhado.

Durante o voo

Pessoas que enjoam devem evitar ingerir líquidos em excesso, comida gordurosa e refrigerantes e procurar assentos próximos das asas.

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