Cartas de Gil Rugai serão lidas no júri

Correspondências com avó vão ser usadas por defesa de acusado de matar pai e madrasta

ADRIANA FERRAZ , BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2013 | 02h02

Cartas escritas por Gil Rugai e por sua avó paterna Odette Corona Rugai, já morta, virão a público como parte da estratégia da defesa para o julgamento do estudante acusado de matar o pai e a madrasta há quase nove anos. O crime aconteceu na mansão onde o casal morava, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo. Segundo o Ministério Público, nenhuma tentativa vai convencer os jurados da inocência.

Parte do material foi cedido ao Estado pelos advogados Thiago Gomes Anastácio e Marcelo Feller, responsáveis pela defesa de Gil. O júri está previsto para começar amanhã. As cartas revelariam a dor da família e as saudades de Luiz Carlos Rugai, de 40 anos, morto a tiros ao lado da mulher Alessandra de Fátima Troitino, de 33, em 28 de março de 2004. Ambos foram atingidos pelas costas.

Segundo a denúncia, o estudante de Teologia que sonhava em ser padre matou o casal por dinheiro. A acusação sustenta que o motivo do crime foi a descoberta por Luiz Carlos de um desfalque de R$ 150 mil na produtora de vídeo da família. Gil seria o responsável e premeditou o duplo homicídio de forma "fria e calculista".

Perfil que uma das cartas, escrita pelo próprio acusado, tenta desmontar. Quando ficou preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém, na zona leste, dias após o crime, Gil relata a dor em saber que nunca mais poderá ver o pai, o homem que mais amava e a quem chama na correspondência de "guia" (leia ao lado). Ele deixou o presídio em 18 de abril de 2006.

Religiosa, Odette procura confortar o neto com citações bíblicas e palavras de carinho. E pede perdão por não ter forças para visitá-lo na cadeia, citando a saudade que sente do filho.

Nas três correspondências obtidas pela reportagem, a avó não fala sobre o crime, apenas diz que ama o neto e reza por ele.

A defesa do acusado não informou as datas exatas das correspondências, mas pelo conteúdo estima-se que elas tenham sido escritas entre abril de 2004 e abril de 2005.

Pacato. Aos 29 anos, Gil Rugai leva uma vida pacata, ao lado da avó materna, que sofre de Mal de Alzheimer, em uma casa no bairro de Perdizes. Não trabalha nem estuda formalmente. Todas as tentativas de cursar uma faculdade foram frustradas. Em 2008, mudou-se para a cidade gaúcha de Santa Maria para prestar vestibular - a decisão lhe rendeu nova prisão, já que não a Justiça não foi consultada.

Atualmente, o estudante cumpre apenas compromissos religiosos. Vai à missa quase todos os dias e mantém contato só com familiares.

A mãe, Maristela Greco, acompanha de perto os últimos dias do filho antes do julgamento e aposta na participação do caçula, Leonardo, para ajudar a convencer os jurados da inocência de Gil.

Para a Promotoria e a Polícia Civil não há possibilidade de o acusado sair do banco dos réus absolvido. A acusação afirma que as provas colhidas durante o processo colocam o estudante na cena do crime. Na denúncia, Gil Rugai matou o pai e a madrasta com sua própria arma após premeditar o crime.

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