Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

'Pombo' que caiu em telhado levou à investigação sobre advogados do PCC

Carta foi interceptada por agentes de penitenciária de Presidente Venceslau; operação prendeu 33 suspeitos de ligação com a facção criminosa

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

22 Novembro 2016 | 18h14
Atualizado 23 Novembro 2016 | 15h07

SOROCABA - Um 'pombo', como é chamada a carta escrita por presos, interceptado por agentes da Penitenciária 2, de Presidente Venceslau no dia 11 de maio de 2015 deu a pista inicial para a investigação do esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo advogados e o PCC. A carta foi lançada na forma de "aviãozinho" de uma ala para outra do presídio, mas o 'pombo' acabou caindo sobre o telhado. 

A Operação Ethos, do Ministério Público Estadual e da Polícia Civil, prendeu até o início da tarde desta terça-feira, 22, 33 pessoas, na maioria advogados, suspeitas de ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em várias cidades do Estado de São Paulo. Ao todo, a força-tarefa cumpria 41 mandados de prisão, busca e apreensão dados pela Justiça contra o crime organizado. 

A correspondência foi apreendida durante uma varredura nas coberturas das alas 3 e 4 da penitenciária, realizada de forma rotineira para retirar drogas e celulares lançados de fora dos muros. Nesse presídio estão confinadas as principais lideranças da facção no Estado, como Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola, que teria sido o responsável pela onda de ataques à polícia em 2006.

De acordo com informações obtidas pela reportagem, a carta fazia menção a um advogado que traria informações a um agente penitenciário da unidade. Apesar dos códigos usados no escrito, os supostos autores e o agente passaram a serem monitorados. Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça permitiram identificar o advogado. 

Proteção. O presidente do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo, Daniel Grandolfo, informou que vai entrar nesta terça-feira, 23, com pedido de proteção policial para os agentes e familiares incluídos na lista negra do PCC. "Tivemos a informação de que são mais de 100 pessoas entre agentes e familiares que estão nesse cadastro, com nomes, endereços, telefones e fotos deles e dos familiares. Pedimos acesso ao processo para ver quais são os agentes fichados e pedir proteção, pois eles estão correndo perigo." 

Segundo Grandolfo, o envolvimento de advogados que têm acesso aos presos num esquema que envolve, além da corrupção, o risco à segurança dos agentes, é preocupante. "Tivemos várias mortes de agentes em que a causa não ficou esclarecida. Essa participação de advogados e de pessoas dos direitos humanos num esquema criminoso é algo assustador."

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