Carros crescem no Rio, assim como o sambódromo

Nova passarela do samba inspirou alegorias mais altas; enredos de hoje falam de Maranhão, Bahia, Inglaterra, Angola e até de iogurte

ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2012 | 03h01

Findos nove meses de obras, um novo sambódromo espera o público e as 13 escolas do Grupo Especial. Com capacidade 20% maior, um vão mais amplo para a passagem dos carros alegóricos e sistemas de luz e som turbinados, a passarela do samba inspirou carnavalescos a criar alegorias mais altas - o que pode resultar, em futuros carnavais, em uma nova fase dos desfiles, ainda mais grandiosa.

A Beija-Flor, atual campeã, que busca ser fiel à riqueza cultural de São Luís, no Maranhão, cresceu, em média, 4 metros. Além disso, as alegorias foram desenhadas para serem igualmente admiradas das arquibancadas ímpares e pares - estas recém-construídas. "Mudou a perspectiva, o campo de visão aumentou. Nossos carros estão mais 'vazados', para serem vistos da esquerda e da direita da mesma forma", diz Ubiratan Silva, da comissão de carnaval.

Rosa Magalhães, da Imperatriz, que homenageia o centenário do escritor Jorge Amado, fez carros articulados que podem atingir até 16 metros. A São Clemente, cujo enredo é o teatro musical, das revistas aos grandes sucessos da Broadway, vai chegar a 9,5 metros. Na União da Ilha, um carro que simboliza uma embarcação, no enredo sobre a Inglaterra, tem mastro de 12 metros. O ano é de experimentação, diz Alex de Souza, o carnavalesco. "O entorno continua o mesmo e as ruas são estreitas. Se dá algo errado, a culpa é sempre do carnavalesco..."

Homenagens. A noite de hoje começa com a Renascer de Jacarepaguá, escola que tenta fugir da maldição das egressas do Grupo de Acesso A - há pelo menos dez anos, tudo que sobe desce, e já no ano seguinte. O enredo é também de tributo: ao pintor Romero Britto. A Portela fala da Bahia, como a Imperatriz, e as duas têm até um carro quase idêntico, o do Pelourinho.

Outro enredo-louvação é o da Mocidade, cujos setores tomam por base os mais famosos quadros do pintor Cândido Portinari. Em seguida, a Sapucaí vai ver a Porto da Pedra cantar a história do iogurte, o mais inusitado deste ano. A noite termina com a Vila Isabel, que tem como trunfos o bom samba e o enredo sobre Angola. A associação com a glória de "Kizomba", que deu o campeonato de 1988, é direta.

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