Carro guinchado era obra de arte

Prefeitura remove veículo que integrava mostra

JOTABÊ MEDEIROS , O Estado de S.Paulo

23 de março de 2012 | 03h06

A Prefeitura de São Paulo guinchou ontem à tarde uma obra do coletivo artístico Bijari, pensando tratar-se de um carro abandonado. O automóvel coberto de plantas é uma velha Quantum sem motor, que estava na frente da Galeria Choque Cultural, na Rua João Moura, em Pinheiros, zona oeste da capital.

A obra, intitulada Carro Verde, integrava a mostra Estado de Sítio, que começou em 11 de fevereiro na galeria de Pinheiros e está prevista para terminar no próximo dia 31.

O Grupo Bijari utiliza veículos para reapresentá-los à vida urbana, cobertos de samambaias, bromélias, arbustos, unhas-de-gato e palmeiras para "dar uma nova vida às carcaças estéreis, criando um organismo único e sincrético", conforme explicação dos artistas. A obra é um comentário crítico sobre a metrópole automatizada.

Carro Verde já foi exposta na Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo e na exposição austríaca Rotor, em 2009, e também ocupou espaços de eventos como Matilha Cultural e SWU.

Segundo o Grupo Bijari, para liberar a obra de arte, autuada como carro abandonado em via pública, a Prefeitura de São Paulo exige o pagamento de R$ 12 mil. O grupo diz que não tem o dinheiro e reclama que a Prefeitura não cumpriu o rito legal de informar a suposta infração e dar 5 dias para legalizar a situação.

A Subprefeitura de Pinheiros informou apenas que removeu o veículo atendendo a reclamações de vizinhos.

Natureza Urbana. Desde 2007, o Grupo Bijari desenvolve um projeto batizado de Natureza Urbana, a partir de diversos suportes. "Constitui-se na apropriação de equipamentos e estruturas urbanas símbolos e agentes de um modelo nocivo de ocupação, mas que, ao mesmo tempo, possuem um caráter de identificação coletiva dentro do ambiente das cidades: o carro, o ônibus, o outdoor, a caçamba de lixo", diz seu manifesto.

"Para quem a cidade é feita: para as pessoas ou para os carros? A resposta não é clara. Para emplacar um carro é fácil, mas para expor uma obra de arte questionando isso é difícil", diz Rodrigo Araújo, um dos 13 artistas do Coletivo Bijari. São Paulo tem de 7,2 milhões de automóveis.

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