Carro esvazia viagens intermunicipais

Enquanto o turismo doméstico cresce 20% por ano, viações de ônibus perderam a metade dos passageiros somente na última década

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2010 | 00h00

Enquanto para as viagens de média distância (como de São Paulo a Belo Horizonte ou até Florianópolis) viações ainda contam com a praticidade e a pontualidade dos ônibus - "a gente não pratica overbooking", diz Eduardo Souto, da Socicam - , as rotas curtas têm o carro como rival. Segundo o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado de São Paulo (Setpesp), as viagens intermunicipais perderam metade dos passageiros na última década.

"Essa é uma preocupação grande nossa. As pessoas estão lançando mão inutilmente do carro para viajar, até pagam mais caro por isso e não se importam", diz o presidente da entidade, Robson Rodrigues.

Ele acredita numa convivência - "coexistência alternada" - entre os meios de transporte. "Os ônibus ainda são uma concorrência interessante para cidades como Ribeirão Preto, São José do Rio Preto ou Presidente Prudente. O problema é a sensação hedonista do carro, meu ar-condicionado, minha música", explica.

Neste ano, a frota de São Paulo bateu recorde - a cidade está perto dos 7 milhões de veículos em circulação. Com o aumento do poder de compra, redução de impostos e financiamentos, quem não tinha carro na garagem passou a ter com mais facilidade. As vendas começaram a avançar em 2004. Hoje, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) registra, de janeiro a novembro, mais de 2,35 milhões de novos carros nas ruas de todo o País.

Dinheiro sobrando. Para o diretor de assuntos internacionais da Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abac), Leonel Rossi Junior, o carro de passeio proporciona o típico turismo de lazer em família. "Para passar um fim de semana na praia ou visitar uma cidade histórica nos arredores, não há meio de locomoção melhor que o carro. O turismo doméstico cresceu 20% neste ano e as pessoas estão com dinheiro sobrando para gastar", afirma.

Para Robson Rodrigues, tanta mobilidade acaba criando o problema de falta de mobilidade. "Não gosto de eleger o carro como inimigo, mas estamos numa situação limite. Até cidade pequena já tem problema de trânsito", resume.

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