Carona solidária tem baixa adesão em teste

Aumento dos caroneiros foi de 3,5%, em média, na sexta-feira; analista destaca itinerários incompatíveis e individualismo dos motoristas

CAIO DO VALLE / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2012 | 03h02

Mesmo estimulados a dar carona, os paulistanos preferem continuar sozinhos em seus carros. É o que mostra o balanço dos veículos que circularam pelas faixas reversíveis na sexta-feira, quando a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) realizou uma campanha educativa para chamar só os carros com mais de uma pessoa. O aumento dos caroneiros foi de pífios 3,5%, em média.

A maioria (65%) dos veículos circulando nas faixas reversíveis - montadas nos horários de pico em grandes avenidas para ajudar a aliviar o sentido mais carregado - estava apenas com o motorista. Os dados foram recolhidos em quatro corredores: Radial Leste (zona leste), Luís Dumont Villares, (norte), Giovanni Gronchi (sul) e Rudge (centro).

A campanha da carona solidária não obrigava nenhum motorista solitário a deixar de usar as faixas reversíveis. Tratava-se somente de uma medida com objetivos sociais e culturais. Várias faixas foram espalhadas nas avenidas para "sugerir" a mudança aos motoristas. Mas pouco adiantou, pois só um terço dos carros transportou um ou mais passageiros, patamar parecido com o de um dia convencional.

Para Creso de Franco Peixoto, professor de Engenharia Civil da Fundação Educacional Inaciana (FEI), muitas vezes os percursos não batem. "Depois, a rotina de ter de acordar mais cedo para buscar alguém acaba demandando um pouco mais de tempo de aplicação, diminuindo as horas do descanso de forma considerável", ressalta. Outros fatores de caráter individualista também explicariam a atitude de se evitar caronas. "O carro tem uma característica só dele: é um espaço individualizado, que faz quem está lá dentro ser o 'rei'." Além disso, não há a etiqueta típica do transporte coletivo. "A pessoa está sozinha e pode até se coçar à vontade, com certa liberdade."

O cicloativista Willian Cruz, autor do blog Vá de Bike, anda frequentemente de bicicleta nas ruas da capital e nota que o índice de ocupação dos automóveis é baixo. "É difícil ver um carro com mais de uma pessoa. A exceção é na Vila Clementino (zona sul), onde existem mais hospitais." Ele defende que a Prefeitura faça campanhas permanente para incentivar caronas. "É um jeito de tirar um pouco de carros das ruas, porque o problema dos congestionamentos é o excesso deles."

Radial. O levantamento da CET revela que, das quatro vias onde a eficácia da ação foi monitorada, a Radial Leste foi a que menos ganhou adeptos. Por ali, só 0,9% a mais de veículos trafegaram com caronas no pico da manhã, no sentido centro, comparando-se com o mesmo período do dia 29 de agosto. À tarde, o acréscimo subiu um pouco, chegando a 1,4%.

Na outra ponta, está a Avenida Rudge, onde 8% a mais de caronas foram observadas no pico da tarde.

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