Felipe Rau/Estadão - 21/04/2022
Felipe Rau/Estadão - 21/04/2022

Carnaval de SP: sábado terá retorno do Vai-Vai, crítica social e influenciadores digitais

Gaviões da Fiel, Águia de Ouro, Rosas de Ouro, Barroca Zona Sul, Império da Casa Verde e Mocidade Alegre fecham a última noite de desfiles

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2022 | 05h00

Sete escolas de samba desfilam na segunda noite do carnaval de São Paulo a partir das 22h30 deste sábado, 23. Como na sexta-feira, 22, os enredos seguem variados, com temáticas como a desigualdade social, a trajetória da cantora Clementina de Jesus, a diversidade étnica e religiosa, a comunicação do início até os influenciadores digitais e a entidade Zé Pilintra, entre outros. 

O retorno do Vai-Vai ao grupo especial também chamará a atenção. As demais escolas serão a Gaviões da Fiel, a Mocidade Alegre, a Águia de Ouro, a Barroca Zona Sul, a Rosas de Ouro e a Império da Casa Verde, nesta ordem.

O Vai-Vai abrirá a segunda noite do grupo especial com o enredo “Sankofa!”, inspirado em uma ave sagrada africana, relacionada ao ensinamento que “nunca é tarde para voltar atrás e buscar o que ficou perdido”. A autoria é do carnavalesco Chico Spinoza.

A proposta conversa com a trajetória da escola, nascida em 1930, como cordão, e uma das mais tradicionais e maiores vencedoras do carnaval paulistano, que retorna após um ano no Acesso I, no qual se sagrou campeã em 2020. O samba-enredo é de autoria do cantor Xande de Pilares e de Rodrigo Peu, Claudio Russo, Junior Gigante, Jairo Limozine, Silas Augusto, Zé Paulo Sierra e Bruno Giannelli.

O samba faz alusões à trajetória da própria escola, citando nomes históricos como o sambista Geraldo Filme e Dona Olívia, uma dos fundadores. “Tambor africano de negra bravura/ É o mesmo tambor da Saracura/ Quilombo do samba não morre jamais/ Eu sou Vai-Vai.”

Em seguida, às 23h35, a Gaviões da Fiel deve chamar a atenção com um enredo crítico, batizado de “Basta!”, sobre as desigualdades sociais. Fundada como bloco em 1975  por integrantes da torcida homônima, a escola tem anunciado que vai defender os valores da democracia, igualdade, sustentabilidade e paz durante o desfile. No último carnaval, ficou em 11º lugar. O carnavalesco é Zilkson Reis.

O samba-enredo tem mais de 20 autores, criado a partir da junção das propostas de dois grupos. “Vidas negras nos importam/ O grito da mulher não vão calar/ Meu gavião chegou o dia da revolução/ Onde a democracia desse meu Brasil/ Faça o amor cantar mais alto que o fuzil", diz um trecho.

Os compositores são o humorista Marcelo Adnet, Grandão, Sukata, Jairo Roizen, Morganti, Guinê, Xérem, Claudio Gladiador, Ribeirinho, Claudinho,  Meiners, Japonês da Moóca, Julhyan, Luciano Costa, Felipe Yaw, Fadico, Júnior Fionda, Lequinho, Fábio Palácio (Mentirinha), Leonel Querino, Altemir Magrão, Marcelo Valente, Sandro Lima e Rodrigo Dias.

Depois, à 0h40, será a vez da Mocidade Alegre, escola fundada em 1967 e que ficou em terceiro lugar no último carnaval. O enredo se chama “Quelémentina, cadê você?”, em homenagem à cantora Clementina de Jesus, do carnavalesco Edson Pereira.

O samba é de autoria de Márcio André, Fabiano Sorriso, China da Morada, Marquinhos, Biel, Lucas Donato, Daniel Katar, Bello e Marcelo Valência. “É lindo ver a mulher negra lutar! Quem te vê sorrir, não há de te ver chorar! Rainha Quelé, vem ser coroada! Na minha, na sua, na nossa morada!”, diz um trecho.

Na sequência, a Águia de Ouro desfilará pelo sambódromo a partir da 1h45. O enredo é voltado à exaltação da diversidade étnica e cultural brasileira e contra a intolerância religiosa, com Sidnei França de carnavalesco. Fundada em 1976, a escola é a atual campeã do carnaval paulistano.

O samba-enredo é batizado de “Afoxé de Oxalá — No ‘cortejo de babá’, um canto de luz em tempo de trevas”. “Awurê, Awurê, menino… O respeito há de ter quem semeia intolerância perde a paz no coração”, canta um trecho.

A autoria é de Dominguinhos do Estácio, Jorginho Moreira, João Perigo, Lico Monteiro, Leandro Thomaz, Telmo Augusto, Lucas Valentin, JotaPê, Lanza RafaBerê, Araken Kaoma, Solano Laranjo, Serginho Rocco, Rosali Ahumada Carvalho, Lequinho, Júnior Fionda, Dedé, Rafael Santos, Chocolate, W. Corrêa, Vieira e Rafa Machado.

Às 2h50, será a vez da Barroca Zona Sul, que abordará a figura do Zé Pilintra, o malandro-boêmio considerado como entidade por religiões brasileiras de matriz africana. Fundada em 1974, a escola ficou em 10º no último carnaval.  A direção artística é de Rodrigo Meiners e Rogério dos Santos Monteiro. Na comissão de frente, o trabalho é liderado pelo coreógrafo Carlinhos de Jesus.

O samba-enredo se chama "A evolução está na sua fé... Saravá seu Zé!". "Quando o couro do tambor arrepia/ Abre a gira pra saudar meu protetor/ Incorpora na avenida/ A barroca é quem te chama/ Salve Zé Pilintra de Aruanda", começa a composição. A autoria é de Sukata, Thiago Meiners, Morganti, Jairo Roizen, Luan, Marcos Thiago, Pixulé e Emerson Franco.

A penúltima escola do grupo especial a desfilar é a Rosas de Ouro, às 3h55. Fundada em 1971, ficou em quinto no carnaval passado. O tema escolhido são os rituais e caminhos para a cura dos males — pelas mãos, pela alma ou pela mente, com Paulo Menezes de carnavalesco.

Batizado de “Sanitatem”, o samba-enredo diz em um trecho: "Faço minhas preces ao senhor/ Que a ciência seja a fonte do saber/ A medicina, esperança pra salvar/ O povo cantando em oração/ A alma e o brilho no olhar/ Entenda que o samba também tem o dom de curar".

A autoria é de Godói, Luciano Godói, Diego Nicolau, André Ricardo, Douglas Chocolate, Jacopetti, Cacá Mascarenhas, Liso, Antônio Junior, Hudson Luiz, Andreia Araújo e novamente do humorista Marcelo Adnet.

Por fim, a Império de Casa Verde entrará no sambódromo às 5 horas. O desfile viajará dos “primórdios da humanidade” até os influenciadores digitais para falar sobre “o poder das comunicações”, com o influenciador digital Carlinhos Maia como homenageado. Os carnavalescos são Mauro Quintaes e Leandro Barboza.

O samba-enredo se chama "O poder da comunicação. Império, o mensageiro das emoções…”, em que um dos trechos canta: "Grafias linhas geniais, vias digitais/ Abro a janela pra grande viagem/ O mundo na palma da mão/ Vila Primavera, influência maior, se avexe não!".  A autoria da composição é de André Diniz, Marcelo Casa Nossa, Claudio Russo, Darlan Alves, Samir Trindade, Diego Nicolau e Fabiano Sorriso.

Confira a ordem dos desfiles de sábado em São Paulo: 

22h30 – Vai-Vai

Retorno ao grupo especial terá a ave sagrada africana “sankofa” como inspiração, pelo simbolismo de que nunca seria tarde para voltar e buscar o que ficou esquecido.

23h35 – Gaviões da Fiel

Enredo “Basta!” aborda a desigualdade social em diferentes aspectos.

0h40 – Mocidade Alegre

Desfile contará a trajetória e obra da cantora Clementina de Jesus.

1h45 – Águia de Ouro

Atual campeã promete um cortejo de exaltação à diversidade étnica e cultural brasileira e contra a intolerância religiosa.

2h50 – Barroca Zona Sul

Enredo enfoca o Zé Pilintra, o malandro-boêmio considerado como entidade por religiões brasileiras de matriz africana.

3h55 – Rosas de Ouro

Rituais e caminhos para a cura dos males — pelas mãos, pela alma ou pela mente — guiarão o desfile.

5h00 – Império de Casa Verde

Desfile viaja dos “primórdios da humanidade” até os influenciadores digitais para falar sobre “o poder das comunicações”, com o influenciador digital Carlinhos Maia como homenageado.

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