Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Carnaval de rua de SP tem folia para todos os gostos

Acadêmicos do Baixo Augusta atraiu milhares de foliões no centro de São Paulo; diversidade foi uma das marcas do primeiro fim de semana da programação oficial

Marco Antônio Carvalho, Marcelo Lima, Vinicius Neder e Caio Faheina, Especial Para o Estado de S. Paulo

24 de fevereiro de 2019 | 23h32

SÃO PAULO - A quantidade de foliões que participou do pré-carnaval em São Paulo é tamanha que desafia as leis da física. Quem foi nos maiores blocos da cidade deste fim de semana acredita que, sim, dois corpos (ou muitos mais) podem ocupar o mesmo espaço. 

Um dos desfiles mais populares de domingo, 24, foi o Acadêmicos do Baixa Augusta, que comemora 10 anos. Com o tema Que País É Esse, o bloco não deixou de lado o tradicional tom de protesto. Na Rua da Consolação, foliões entoaram críticas ao governo Jair Bolsonaro (PSL) e, nas fantasias mais politizadas, o que se via principalmente eram laranjas, em referência às denúncias contra o partido do presidente

“Estou enaltecendo as laranjas, não os laranjas”, brincou o consultor Wvelton Andrade, de 33 anos, que carregava um adereço na cabeça com variedades da fruta, além de vestir ombreira e sunga da mesma cor. Ele acredita que o tema motiva cada vez mais as pessoas a se fantasiarem como forma de protesto.

Para Júnior Faria, de 35 anos, que está no seu oitavo desfile no Baixo Augusta, o que encanta é a pluralidade do público e da música. “Penso que há dez anos o carnaval era mais conservador. Hoje é mais diversificado e isso é muito bom”, disse.

A diversidade também marcou o desfile do Gambiarra, liderado por Tiago Abravanel e que teve participação da cantora e drag queen Aretuza Lovi. “Temos gente com todos os gêneros e orientações sexuais aqui. Mas, acima de tudo, temos pessoas felizes”, disse Aretuza, do trio elétrico. “Tendo amor e respeito, a gente muda o mundo”, ressaltou Abravanel. 

Além do Baixo Augusta, outro “veterano” do carnaval paulistano foi a Confraria do Pasmado. Com 15 anos, o bloco movimentou os foliões. Um dos pontos de maior engajamento foi quando começou a tocar Cheia de Manias, do grupo Raça Negra. A coreografia era simples: mãos para cima, segurando um objeto imaginário, enquanto o refrão dizia: “Então me ajude a segurar essa barra que é gostar de você.”

“O sofrimento tem de ser coletivo”, brincou o economista Leonardo Nunes, de 38 anos. Paulista, mas morador do Rio, veio para a folia e também visitar a família. Ele segue o bloco desde o início e trouxe a esposa Thaís, de 36 anos “É minha primeira vez aqui e estou adorando, bem seguro e tranquilo.”

Um dos 16 megablocos deste carnaval, o Monobloco se apresentou nas imediações do Parque do Ibirapuera, na zona sul, tocando clássicos da artistas nacionais, como Daniela Mercury, Gilberto Gil, Skank e Lulu Santos. 

O bloco atraiu até quem não é tão chegado a carnaval, como o vendedor Milton Gonçalves, de 52 anos. “Nunca fui muito de frequentar, mas passei para ver o movimento e resolvi ficar um tempinho”, disse ele, que observava de longe.

Além das ruas, a festa também fez lotar o Anhembi, em um evento privado com entrada gratuita, com shows de artistas populares, como Pabllo Vittar e Gabriel Diniz, do sucesso Jenifer. “Já estive no carnaval de Salvador duas vezes. Estou me sentindo lá”, comentou a estudante Lurdes Siqueira.

No Rio, a folia começou mais cedo. Às 9 horas, o tradicional Cordão do Boitatá estava na rua trazendo um desfile “à moda antiga”, com marchinhas. Mesmo com sol forte, atraiu milhares de participantes.

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