Carla Cepollina vai a júri popular por morte do coronel Ubiratan

TJ decidiu que há indícios que justificam julgá-la por causa do crime de 2006; defesa ainda não decidiu se vai recorrer

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2010 | 00h00

O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu ontem que a advogada Carla Cepollina vai a júri popular. Ela é acusada de matar com um tiro na barriga o coronel Ubiratan Guimarães após um ataque de ciúmes. O crime ocorreu em 2006 no apartamento do então deputado estadual, nos Jardins, na zona sul de São Paulo. A decisão, da 9.ª Câmara Criminal do TJ, foi unânime (3 a 0).

Ubiratan era o oficial da PM que comandou a operação no Pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo na qual morreram 111 presos, em 1992. Ele e Carla tiveram um conturbado namoro. Ela se dizia apaixonada pelo coronel, mas Ubiratan começou a namorar uma delegada da Polícia Federal. Na versão da acusação, no dia do crime, Carla teria atendido, no apartamento dele, um telefonema da delegada para o coronel. Os dois teriam discutido. Ubiratan vestia apenas uma toalha quando foi morto.

O julgamento de ontem foi uma prévia do que deve ocorrer no júri, que não tem data marcada. De um lado estava a procuradora Lígia Martins, do Ministério Público Estadual, e o advogado da família do coronel, o criminalista Vicente Cascione. Eles afirmaram haver provas suficientes de que Carla estava no apartamento do coronel na hora do crime. Ela também é acusada de tentar fraudar a perícia policial ao entregar para análise roupas diferentes das que usava no dia do crime.

A acusação enfrentou a defesa, feita pelo criminalista e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. Ele tentava manter a decisão que inocentara Carla em 2008, quando, em primeira instância, a Justiça decidiu não a mandar a júri. Para ele, falhas do laudo da morte não permitem dizer que Carla estava no apartamento do coronel na hora do crime. "O inquérito foi conduzido desde o começo para tentar provar a culpa da Carla", disse.

O relator do caso, desembargador Souza Nery, decidiu que havia indícios suficientes contra a advogada. Com ele, votou o revisor, Roberto Midolla. O terceiro juiz, o desembargador Francisco Bruno, afirmou que "havendo dúvida razoável é sempre necessário submeter o caso a júri popular". A defesa ainda não decidiu se vai recorrer da decisão. A acusação comemorou. "Tinha certeza de que o tribunal a mandaria a júri", disse Cascione.

A mesma certeza era compartilhada pelo delegado Armando de Oliveira Costa Filho, que chefiava a Divisão de Homicídios quando o inquérito foi concluído. "O que existe nele são provas periciais que não deixam dúvida: ela matou o coronel Ubiratan Guimarães", disse o delegado.

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