Carla Cepollina não vai a júri por morte de coronel Ubiratan

Juiz Alberto Anderson Filho, do 1º Tribunal, diz que indícios contra acusada não eram suficientes, mas duvidosos

Laura Diniz, Marcelo Godoy e Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2008 | 21h18

A advogada Carla Cepollina não irá a júri popular pela acusação de ter matado o coronel Ubiratan Guimarães, em setembro de 2006. A decisão, de segunda-feira, 30, é do juiz Alberto Anderson Filho, titular do 1º Tribunal do Júri da capital. Tecnicamente, ela foi impronunciada. Nas palavras do juiz, "os indícios contra ela não eram suficientes, eram duvidosos". Anderson disse, ainda, que "canalizaram a investigação apenas em cima dela", o que teria prejudicado a apuração do caso. Desde o início das investigações, a advogada nega a autoria do crime e nunca foi presa. O Ministério Público Estadual (MPE) vai recorrer da decisão, que surpreendeu a promotoria. "Respeito a decisão judicial, mas vou recorrer, pois entendo que há no processo elementos suficientes para Carla ser julgada e condenada pelo crime", disse o promotor João Carlos Calsavara. Um dos principais argumentos que o MPE pretende usar para que o Tribunal de Justiça reforme a decisão e mande Carla a júri é o fato de que, na pronúncia, o magistrado, conforme sempre determinam os tribunais, deve sempre decidir em favor da sociedade em caso de dúvida. Assim, a pronúncia é o único tipo de decisão judicial em que a dúvida não deve favorecer o réu. A advogada de Carla, Dora Cavalcanti, comemorava a decisão ontem à noite. "É um alento de que existe Justiça. A Carla se manteve firme e coerente. Sempre foi muito corajosa e sustentou a mesma versão, a verdadeira", afirmou. "Acho que ela está absolutamente emocionada, vai experimentar um período de se refazer."  Nas alegações finais, a defesa destacou um dos principais argumentos utilizados pelo juiz, de que Carla foi a única investigada. Segundo Dora, ficou comprovado que "ela passou o dia (em que foi morto) com ele, que namorava com ele, que trabalhava na campanha dele (para deputado), que foi embora no fim do dia e ele ficou dormindo, com vida". A mãe de Carla, Liliana Prinzivalli, aproveitou para criticar a imprensa e a polícia. "Na época que acusaram, fizeram manchetes culpando minha filha! E agora, vão escrever o quê? Estamos comemorando muito, as pessoas que não acreditaram na imprensa estão ligando agora para a nossa casa para parabenizar a Carla", disse, quase gritando. "Será que o delegado agora vai trabalhar e procurar o verdadeiro culpado? Da nossa parte, agora só vamos comemorar e amanhã iremos à igreja para agradecer."

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