Cariocas perdem espaço por estarem 'bronzeadas demais'

Segundo agências, para cada dez modelos de outros Estados, há uma do Rio; Walter Rodrigues abriu os desfiles ontem

ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2012 | 03h06

Entra inverno, sai verão, e as cariocas continuam minoria nos desfiles em sua cidade. Para cada dez de outros Estados, há apenas uma modelo do Rio, nas contas das agências locais. O motivo: a seleção é feita em São Paulo, onde se concentram os profissionais que fazem girar a indústria da moda e já se fecham os desfiles da São Paulo Fashion Week, que começa na quinta.

Nas edições de inverno, como a atual, as meninas do Rio perdem a vez também por serem consideradas bronzeadas demais, ao contrário das concorrentes do Sul, descendentes de alemães e italianos e que não se expõem ao sol na praia. Tem mais: elas ouvem que não são suficientemente magras.

"Se vestir 38, já está sendo considerado gorda. Duas modelos minhas foram barradas por terem peito e bumbum e por estarem morenas. As gostosas e bronzeadas são mais selecionadas no Fashion Rio de verão, porque magreza extrema não fica bem de biquíni", diz Sérgio Mattos, da agência carioca 40 graus. Os responsáveis pelos eventos negam que haja discriminação.

Entre as modelos, a regra é usar filtro solar 24 horas por dia, para evitar marcas de sol.

Desfiles. Ontem, os desfiles começaram com Walter Rodrigues, que incorporou o preto e branco do longa alemão A Fita Branca, Oscar de filme estrangeiro de 2010. Outra referência foi o vestuário das comunidades religiosas amish americanas. Ora de chapéus-touca (de cetim, veludo e renda), ora de lenços na cabeça, as modelos, propositalmente masculinizadas, de coturno e quase nenhuma pele à mostra, usaram muito preto, branco, cinza, vermelho e azul royal.

Única marca do Fashion Rio voltada para o público masculino, a carioca R. Groove quis aproximar o universo esportivo do guarda-roupas clássico. Foram vistas peças como o casaco com barra azul flúor, a bermuda e a blusa com estampa de ventilador de pás amarelas.

Com o mais clássico Pink Floyd de trilha, a Ágatha mostrou o seu "dark side". Seu inverno é metalizado, aveludado. Tem pele de avestruz (em vestidos, saias e viseiras), lurex e glitter, e também pelo (na barra das saias e nas golas). Alguns vestidos precisam vir com manual de instrução.

A grife Filhas de Gaia trouxe uma coleção de ponte entre Japão e África. Leia-se: estampa oriental com alusões a bichos (tigre, onça, zebra), um minimalismo aqui, uma exuberância ali.

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