Carioca vive em 'periferia insalubre', diz guia da Santa Sé

Material sobre o Rio será distribuído a partir de hoje a jornalistas e religiosos estrangeiros que vêm para o Brasil

Jamil Chade / Cidade do Vaticano, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2013 | 02h48

Parte importante da população carioca vive em uma "periferia insalubre". O alerta sobre a cidade escolhida para acolher o papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude é do próprio Vaticano. No guia oficial preparado pela Santa Sé, que será distribuído a partir de hoje aos jornalistas internacionais e religiosos que acompanharão o pontífice, a capital carioca não é só alvo de elogios e é destacada por sua desigualdade social.

"O Rio apresenta uma realidade contrastante: a cidade moderna, com seus arranha-céus e com ruas arborizadas, e a periferia insalubre", destaca o guia, produzido pela Rádio Vaticano.

Segundo o texto, as favelas têm a "mais básica infraestrutura". Francisco optou por incluir a visita a uma favela e pediu que o encontro com a comunidade não ocorresse às pressas, para que possa estar perto dos mais necessitados. Seu pontificado tem sido marcado por mensagens sociais e atenção aos pobres. No Brasil, ele falará sobre as contradições da sociedade.

No guia, o Vaticano também apresenta uma biografia da presidente Dilma Rousseff. Um dos pontos de destaque é sua participação na "luta armada contra a ditadura militar" e o fato de ter ficado presa durante três anos. Os eventos de 1964 são classificados como "golpe".

Dilma é citada como tendo contribuído para a fundação do PT e por ter promovido uma "profunda restruturação do setor energético" nacional. O texto cita a filha e o neto, mas silencia sobre seu divórcio.

O guia traz informações nem sempre precisas sobre a política externa brasileira. Segundo o documento que será entregue aos jornalistas, o Brasil lançou com Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai em 2006 uma política de integração regional.

O documento cita que o País abriu mais uma planta de enriquecimento de urânio e, sobre a situação ambiental, afirma que o Brasil permite a existência de fazendas na Amazônia.

Silêncio papal. O Vaticano informou ontem que, diferentemente de seus antecessores, Francisco não responderá a perguntas de jornalistas que o acompanharão ao Brasil no mesmo voo. Segundo a Santa Sé, o papa transmitirá sua mensagem nos 17 discursos que fará enquanto estiver no Brasil.

Cerca de 60 jornalistas estarão com o papa no voo fretado da Alitalia que chegará ao País. O Vaticano cobrou de cada um cerca de 5,5 mil (R$ 16 mil). No total, a Santa Sé coletará quase R$ 1 milhão da imprensa internacional interessada em viajar com o pontífice.

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