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Cárcere duro feminino foi resposta à estratégia do PCC para desmoralizar Estado

Administração dos presídios diz que facção decidiu usar mulheres para articular ações dentro e fora das cadeia

Felipe Resk e Marcelo Godoy, O Estado de S. Paulo

22 Janeiro 2017 | 05h00

SÃO PAULO - O uso de mulheres pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para articular ações do crime organizado dentro e fora das cadeias foi a razão que levou a administração penitenciária a criar uma ala específica feminina no presídio de Presidente Bernardes. “O PCC dizia que mulher não ia para o RDD. Nós acabamos com isso”, disse o secretário da Administração Penitenciária, Lourival Gomes.

A primeira presa a ser enviada para o cárcere duro foi Cândida Márcia Santa Bispo, a “Gorda”, de 42 anos. Presa por fazer parte da facção, Márcia organizou a chamada Festa do 15 em comemoração do aniversário do PCC, no pavilhão 3 da Penitenciária Feminina de Sant’Anna, no Carandiru, na zona norte de São Paulo, em 2015.

O evento foi filmado pelas presas, que consumiam cocaína e fumavam maconha enquanto dividiam um bolo feito para a festa de 22 anos da facção criminosa. “Isso foi uma ação para tentar desmoralizar o Estado”, afirmou Gomes. O diretor de segurança da unidade foi exonerado após o episódio.

Márcia foi presa por participar da quadrilha que cavou um túnel de 100 metros que partia de uma casa até a Penitenciária 1 de Avaré, no interior, para propiciar a fuga de integrantes do PCC que estavam na unidade de segurança máxima. O bando foi pego em março de 2009.

Segundo a denúncia, foram meses trabalhando no túnel. Após comprar o imóvel, a quadrilha o equipou com sistema de monitoramento. Márcia era responsável por cozinhar para o grupo. Os demais integrantes avançavam na escavação de quatro a cinco metros por dia, com auxílio de pás, macacos hidráulicos e radiocomunicadores com GPS.

Outra detenta que já passou pelo RDD foi Marilene Simões, a “Marlene”, “Flor” ou “Bicho Papão”, de 43 anos. Ela é apontada pela Polícia Civil como tesoureira do PCC e seria responsável por contabilizar o dinheiro arrecadado com o tráfico. Condenada a 37 anos e 6 meses em regime fechado, também já foi acusada de integrar a quadrilha que escavou o túnel na Penitenciária 1 de Avaré e de receber ordem da cúpula da facção para coordenar ataques a ônibus em 2006. Com mais de uma reincidência, foi presa em 2010.

Ambas estão hoje presas na Penitenciária Feminina de Sant’Anna. 

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