CARÁTER POPULAR É MANTIDO

Outro resultado do estudo que não era esperado pelos autores foi a manutenção do caráter popular da região central de São Paulo, que engloba bairros como Sé, República, Consolação e Bom Retiro. Apesar do aumento de lançamentos imobiliários de maior padrão e da volta de mais de 63 mil moradores observados na última década, a maior parte dos distritos do centro teve crescimento de renda menor do que a média da região metropolitana.

O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2013 | 02h03

Por outro lado, áreas antes pouco habitadas, como a Vila Leopoldina, na zona oeste, e bairros considerados saturados, como Moema, na zona sul, estão entre as localizações mais cobiçadas.

"Os dados indicam que as elites não estão se interessando pelo centro da mesma forma como se interessam por outros bairros na região sudoeste, como Pinheiros, Moema e Vila Mariana. É mais uma classe média com acesso a crédito que está indo para o centro", afirma um dos autores do estudo, Renato Cymbalista.

A concentração de riqueza que é observada no mapa da cidade também pode ser vista dentro do centro. De acordo com o arquiteto, a área central permanece bastante dividida em uma parte mais rica e outra mais pobre.

A mais rica, que engloba bairros como Bela Vista, Consolação e Santa Cecília, viu sua renda crescer acima da média da Grande São Paulo. Já a parte mais pobre, como Pari, República, Brás e Bom Retiro, acabou empobrecendo em relação à média da região metropolitana (veja quadro). Também é possível perceber a queda na renda média dos moradores de locais que antes eram ilhas de riqueza na Grande São Paulo, como Barueri.

Oportunidade. Para Cymbalista, esse cenário dificultou a execução de uma política de habitação social inclusiva no centro. Polêmico e muito criticado sobretudo por comerciantes da região, o projeto Nova Luz, do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), é exemplo de esboço para revitalizar a região central que não vingou.

"Em 2000, o centro era a grande oportunidade social da cidade, com preços imobiliários baixos e grande número de imóveis desocupados. Era o momento certo para fazer uma política incisiva de habitação de interesse social", afirma. "Em 2010, tudo mudou. Os imóveis encareceram muito e a desocupação diminuiu. Ou seja, perdemos a chance histórica de fazer política de habitação na região central. Agora, vai ser muito mais caro." / N.C. e R.B.

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