Carandiru: acusação pode pedir absolvição por metade das mortes

Quatro das oito mortes pelas quais os PMs respondem foram causadas por armas brancas, não por disparos, o que pode retirá-las do processo

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

01 Abril 2014 | 08h08

Atualizada às 14h30

SÃO PAULO - A acusação do último júri pelas mortes no Complexo do Carandiru em outubro de 1992 anunciará nos debates desta terça-feira, 1, se pedirá absolvição por metade das mortes pelas quais 15 PMs foram denunciados.

Oito das quatro mortes atribuídas aos PMs do Comando de Operações Especiais (Coe) no júri do 3.º andar do Pavilhão 9 do Carandiru foram por armas brancas. Nos outros júris, o Ministério Público Estadual dispensou as mortes que não foram provocadas por disparos. A decisão, no entanto, cabe aos sete jurados no final do julgamento.

Se eles forem condenados, poderão pegar uma pena de 96 anos para todas as mortes ou de metade, 48 anos, para as vítimas de tiros. O grupo também é acusado por duas tentativas de homicídio. No júri anterior, os jurados absolveram os réus por esses crimes - a Promotoria justificou a pequena derrota pelo fato de as vítimas não terem aparecido.

Debates. O júri entrou às 13h30 desta terça na fase de debates. A promotoria iniciou a apresentação com vídeos sobre o Carandiru e a violência policial.

Primeiro, será a vez dos promotores Márcio Friggi e Eduardo Olavo Canto. Eles terão duas horas e meia de argumentação. Em seguida, o defensor Celso Vendramini poderá falar por até mais duas horas e meia. A réplica, da acusação, e a tréplica, da defesa, poderão ter até duas horas cada, mas os dois lados podem dispensar essa etapa.

A expectativa do juiz Rodrigo Tellini é de ter um dia de audiência mais curta do que na segunda, quando a sessão começou por volta das 13 horas e foi até a meia-noite. Nesse período, foram ouvidas quatro testemunhas e interrogados todas os réus. Os debates poderão ser divididos em dois dias e, assim, é provável que o júri termine somente na quarta-feira, 4.

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