Capitão Nascimento pedirá arma na TV

Ator vai estrelar Campanha do Desarmamento, que arrecadará revólveres e pistolas em ONGs e igrejas, sem identificar os doadores

Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2011 | 00h00

O ator Wagner Moura, que interpreta o capitão Nascimento, "herói" do cinema brasileiro promovido a coronel em Tropa de Elite 2, será a estrela da Campanha do Desarmamento, que será desencadeada amanhã em todo o País. Moura emprestou a voz ao vídeo da campanha, de 30 segundos, que será divulgado nas emissoras de rádio e televisão de todo o País. A coleta de armas se estenderá até 31 de dezembro. O governo vai pagar de R$ 100 a 300 por peça devolvida, conforme o calibre.

O filme usa imagens da campanha de 2009, que mostra a trajetória de uma bala perdida, passando de raspão ao lado de crianças que brincam em um parque, com pedestres nas ruas. Moura dirá que "não é à bala que se resolvem as coisas". O slogan da campanha será "Tire uma arma do futuro do Brasil".

O ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, explicou que a colaboração do ator é valiosa, porque ele desfruta de carisma e credibilidade pessoal, além de ter voz reconhecida pelo grande público das cidades em todo o País. Moura não cobrou cachê pela participação, que será veiculada gratuitamente por uma rede nacional de emissoras de TV e rádio. Só a TV Bandeirantes não aceitou integrar o pool. A assessoria do ator informou que, desde o início, ele se mostrou solidário à campanha pelo seu "conteúdo civilizatório". Moura tem participado de outras campanhas, como as que combatem trabalho escravo e crimes ambientais.

Nas versões anteriores, mais de 550 mil armas foram recolhidas. Desta vez, foram introduzidas modificações para dar agilidade à iniciativa. A terceira edição da Campanha do Desarmamento desde 2004 incluirá igrejas e ONGs entre os locais de recolhimento de armas. O objetivo é que todos os municípios tenham postos.

Na hora da entrega, o proprietário receberá um voucher para sacar o dinheiro no Banco do Brasil, em um prazo máximo de 30 dias. Anteriormente, o pagamento poderia demorar meses.

Desta vez, o proprietário da arma também não precisará deixar nome, endereço ou o número do CPF quando for entregar a arma nos postos de coleta. E a arma entregue será imediatamente destruída, para evitar o risco de voltar às mãos de criminosos.

A campanha será lançada oficialmente às 10 horas, em solenidade na Prefeitura do Rio, pelo ministro da Justiça, o governador do Estado, Sérgio Cabral, e o prefeito Eduardo Paes, além de representantes de entidades parceiras, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e as ONGs Viva Rio e Instituto Sou da Paz. A segunda parte do evento será a incineração de mil armas apreendidas pela polícia, no forno da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), às 12 horas.

Realengo. A nova campanha estava prevista para junho, mas foi antecipada, para coincidir com um mês da tragédia na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio. Doze estudantes foram mortos a bala no local.

Dados do governo mostram que mais de 70% dos homicídios no País são cometidos com arma de fogo de fabricação nacional, sobretudo o revólver calibre 38. Grande parte dos assassinatos decorre de acidentes domésticos e de causas banais, como brigas de trânsito.

Recursos

Segundo o Ministério da Justiça, o governo federal reservou R$ 10 milhões para indenizar quem devolver armas e conseguirá crédito suplementar se a adesão surpreender.

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