Capital registra 10 mortes envolvendo motos por semana

Apenas 44 dos 512 mortos trabalhavam como motoboys; ao todo, 1.365 pessoas morreram no trânsito paulistano no ano passado

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

03 de maio de 2012 | 21h44

SÃO PAULO - O número de motociclistas mortos em acidentes em São Paulo cresceu tanto no ano passado que quebrou a sequência de redução no número total de vítimas do trânsito na capital, que vinha desde 2008. O Relatório Anual de Acidentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), divulgado na tarde desta quinta-feira, 3, mostra aumento em 7,1% nas mortes de motoqueiros, crescimento maior até que o de motos em circulação, que foi de 6% de 2010 para 2011.

E se enganam os que pensam que as mortes estão relacionadas à imprudência de motoboys. Segundo o relatório, dos 512 ocupantes de motos mortos no ano passado, só 44 eram motofretistas - ou 8% do total. A superintendente de Segurança da CET, Nancy Schneider, estima que somente 10% dessa frota é usada por motoboys. Segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), havia 928 mil motos em circulação no Município em 2011. Ajudantes, estudantes e vendedores, juntos, somaram 112 mortes, ou um quinto de todas as vítimas.

Ao todo, 1.365 pessoas morreram em acidentes de trânsito na capital em 2011. Em 2010, haviam sido 1.357. Os motoqueiros mortos representaram 37,5% do total de vítimas - em 2010, haviam sido 478. O relatório da CET é feito com base em informações da Polícia Civil e do Instituto Médico-Legal (IML). Cerca de 60% das mortes ocorreram até 24 horas após o acidente - 325 (ou 23%) foram na hora.

Respostas. A categoria "mortes de motociclistas" já havia sido o único item do relatório da CET a aumentar de 2009 para 2010 - o porcentual havia sido até maior, 11%, mas não tinha sido suficiente para fazer o total de mortes nos acidentes de trânsito da cidade crescer na comparação com o ano anterior.

Nancy Schneider, da CET, afirma que a Prefeitura tem investido no aumento da fiscalização dos motociclistas como forma de tentar inverter esses números - atribuídos, segundo ela, à falta de educação dos motociclistas e, principalmente, ao aumento da frota de motocicletas em operação.

"Alugamos seis radares de mão para fiscalizar motocicletas e estamos instalando 19 radares voltados apenas para fiscalizar a velocidade delas", argumenta. Ela destaca ainda a construção de um centro para treinamento de motoristas, cuja obra será executada em parceria com as empresas fabricantes de motos e deve começar a funcionar no segundo semestre deste ano. Todas essas medidas, vale destacar, já vinham sendo anunciadas desde o fim do ano passado.

Para o consultor de trânsito Sergio Ejzenberg, o crescimento do número de motociclistas mortos na cidade está relacionado "à falta de fiscalização por parte do poder público".

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