Passageiros aguardam ônibus na Avenida Inajar de Souza, na zona norte de capital paulista
Passageiros aguardam ônibus na Avenida Inajar de Souza, na zona norte de capital paulista

Capital poderia ter poupado por ano R$ 360 milhões com ônibus

Cálculo da SPTrans com base em auditoria mostra que economia seria possível com redução de custo de diesel, pneus e mão de obra

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

18 Dezembro 2014 | 03h00

O resultado final da auditoria da Ernst&Young nas contas do sistema de ônibus de São Paulo, divulgado nesta quarta-feira, 17, mostra que a Prefeitura poderia ter poupado cerca de R$ 360 milhões por ano. A economia seria possível com a redução de custos do transporte público da capital, como preços mais baixo de óleo diesel, pneus e mão de obra. A estimativa foi calculada pela São Paulo Transporte (SPTrans) com base na auditoria. 

O valor é maior do que a diferença entre o subsídio deste ano, de R$ 1,7 bilhão, e o orçado para 2015, de R$ 1,4 bilhão, para manter a tarifa em R$ 3. 

De acordo com a SPTrans, os recursos poderiam ser economizados se, no contrato assinado em 2003 com concessionárias e permissionárias, o preço do diesel não tivesse sido atrelado ao valor médio da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A auditoria notou que as empresas conseguem descontos e pagam abaixo do preço médio.

O secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, afirmou que a criação de sociedades de propósito específico (SPEs) pelas empresas de ônibus poderá reduzir ainda mais o custo do combustível. “É uma junção de várias empresas e se ganha em escala. Em vez de cada uma comprar 500 barris de diesel, podem negociar juntas 2 mil barris, reduzindo custos.” A Ernst&Young também sugere a criação de sociedades. 

A SPTrans já estuda adotar, na próxima licitação, que deverá ser realizada no próximo ano, um redutor porcentual sobre o valor médio do diesel calculado pela ANP. Também foi proposto pelos auditores o pagamento por uma média de 2,55 funcionários por ônibus, em vez dos 2,73 atuais.

A auditoria revela que, desde 2008, paga-se mais do que o previsto em contrato para as empresas e cooperativas por passageiro transportado. 

A apuração mostra também que, entre 2003 e 2013, os operadores movimentaram receita de R$ 41,8 bilhões - R$ 28,3 bilhões foram para concessionárias e R$ 13,5 bilhões para cooperativas. Mais de 99% do montante corresponde justamente ao que os operadores ganharam pela quantidade de passageiros que embarcaram nos veículos. O maior faturamento das empresas foi do Consórcio Sete, com R$ 5,3 bilhões, e, entre as cooperativas, foi da Transcooper, com R$ 2,6 bilhões. 

Na regra. O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss) informou que “todas as empresas têm seus dados contábeis e fiscais permanentemente verificados por empresas de auditoria independentes”. Além disso, afirmou que “os resultados econômicos auferidos pelas empresas, especialmente o lucro real, também estão perfeitamente compatíveis com as regras do contrato vigente”. E negou a existência de “caixa-preta”.

O coordenador jurídico da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp), Paulo Vieira, disse que a planilha de custos das empresas é “muito mais cara” do que a das cooperativas. “A cooperativa distribui renda. Se elas tiverem de virar empresas, vão ter de transformar todos os cooperados em funcionários, e eles vão receber um salário muito menor do que hoje. Isso vai ser repassado para o processo licitatório, o que vai levar ao aumento da tarifa ou do subsídio.”

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