Capital paulista tem três homicídios por dia

Cidade registrou 292 casos no primeiro trimestre, ante 289 no mesmo período de 2014; Estado apresentou diminuição de 8,8%

Bruno Ribeiro, Diego Zanchetta e Juliana Ravelli, O Estado de S. Paulo

24 Abril 2015 | 22h41

SÃO PAULO - O total de homicídios registrados no Estado de São Paulo apresentou redução de 8,8% no primeiro trimestre desde ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. A redução foi de 1.150 casos, em 2014, para 1.049 ocorrências neste ano. 

A capital paulista, entretanto, apresentou resultado diferente, com pequena oscilação positiva nos índices, de 1% de aumento de casos. Foram 292 homicídios na cidade nos três primeiros meses de 2015, média de aproximadamente três casos por dia. No primeiro trimestre de 2014, haviam sido 289 ocorrências. 

O resultado foi o segundo melhor dado trimestral desde o início da série histórica de estatísticas, em 2001. Apenas o primeiro trimestre de 2011, que registrou 1.004 casos, apresentou resultado mais positivo.

O secretário estadual da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, argumentou que, em 2015, houve registro de cinco chacinas até o mês de março. Esses eventos aumentaram os casos de homicídio, na avaliação dele. Somente em uma das ocorrências citadas por Moraes, entre os dias 8 e 9 de março, dez pessoas morreram.

Nas cidades da Grande São Paulo, com exceção da capital, a queda de homicídios foi mais expressiva, de 21% - passou de 295 ocorrências para 233. Somando as delegacias do interior do Estado e do litoral, houve redução de 7% no número de casos, de 566 registros, no primeiro trimestre de 2014, para 524 no mesmo período deste ano.

Ao todo, no Estado, os homicídios fizeram 1.095 vítimas entre janeiro e março de 2015; redução de 10,2% em relação às 1.219 pessoas que morreram em ações criminosas no primeiro trimestre de 2014. 

Dados mensais. Ao analisar apenas os dados de março, a queda de homicídios no Estado foi de 13,1%. Em março de 2015, foram registradas 346 mortes violentas, ante 398 no mesmo mês no ano anterior. Na capital, a redução foi de 1%; 102 homicídios no mês passado, um a menos do que em março de 2014.

Por outro lado, o número de vítimas cresceu na comparação entre os dois períodos. Foram 113 vítimas na cidade no mês passado - cerca de quatro mortes por dia. Em março de 2014, 110 pessoas foram assassinadas na cidade. 

Os dados foram apresentados de forma positiva pelo governo do Estado. “Reduzimos os homicídios para a taxa recorde de 9,75 mortes por 100 mil habitantes”, afirmou Moraes. 

São Paulo registra queda histórica do número de homicídios desde 2002. A taxa de dez mortes por grupo de 100 mil habitantes é a fronteira estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para determinar se uma região é vítima ou não de uma epidemia de violência. São Paulo tem ficado abaixo dessa linha desde fevereiro, segundo os índices divulgados pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP).

Latrocínios. O latrocínio - assalto seguido de assassinato da vítima - aumentou de nove casos para 12 na cidade de São Paulo no último mês. Segundo especialistas, o crime costuma acompanhar o comportamento dos casos de roubo - uma vez que é um “roubo que não deu certo”. O aumento mensal na cidade foi de 33%.

Tanto no mês passado quanto em março de 2014, a polícia registrou apenas uma vítima em cada caso de latrocínio. Ou seja: 12 pessoas foram mortas durante tentativas de assalto na capital no mês passado.

Levando em consideração todo o Estado, entretanto, a variação dos índices foi negativa, passando de 36 ocorrências, em março de 2014, para 32 no mês passado (redução de 11%). 

Já na análise dos dados trimestrais, a diminuição dos casos de latrocínio foi mais expressiva. Houve registro de queda de 19,4% no total de casos da capital paulista entre janeiro e março, de 36 para 29 ocorrências, na comparação com o mesmo período de 2014. Contabilizando os dados de todo o Estado, a queda foi de 16,5%, de 103 para 85 ocorrências no mesmo período. 

O resultado também foi o segundo melhor desde o início da série histórica, que começou em 2001. Apenas 2010 teve registro menor de mortes ocorridas durante esse tipo de delito.

Armas. Por meio de nota, a SSP informou que as Polícias Civil e Militar apreenderam 1.245 armas de fogo no primeiro trimestre deste ano. 

O número indica aumento de 2,22% em relação ao mesmo período de 2014, quando 1.218 armas foram retiradas das ruas. Somente em março, 469 armas foram apreendidas - 9,58% a mais do que o registrado no mesmo mês de 2014.

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