Werther Santana/AE
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Capital já ''exporta'' prédios para os extremos da Região Metropolitana

Em 2010, houve recorde imobiliário, com 70.781 unidades lançadas nas 39 cidades da Grande SP, 11% a mais do que a marca anterior

Márcio Pinho e Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2011 | 00h00

A partir da metade do século passado, os bairros em torno do centro de São Paulo viram o número de prédios explodir. Depois, o boom imobiliário migrou para áreas mais distantes e até para cidades vizinhas, como o ABC, em busca de terrenos disponíveis e baratos. Agora, o mercado imobiliário bate recorde histórico de crescimento na Grande São Paulo, apoiando-se também em municípios mais extremos e antes "ignorados", como Suzano e Mogi das Cruzes.

Apenas em 2010, foram lançadas 70.781 unidades nas 39 cidades da Região Metropolitana, 11% a mais do que a marca anterior de 1997, de 63.410. O balanço é da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), que faz esse registro desde 1985.

Em Mogi das Cruzes foram 5.068 unidades nos últimos cinco anos. Em período semelhante, no fim da década de 1990, foram lançadas apenas 57. Foi a sexta cidade que mais cresceu em 2010 entre as 39 da região. Na vizinha Suzano, a diferença também foi gigantesca: subiu de 256 para mais de 2.700.

Esse crescimento se reflete na paisagem urbana. A Mogi das Cruzes marcada pela agricultura praticada por imigrantes japoneses hoje vê edifícios se multiplicarem em bairros como Nova Mogilar. Os condomínios-clubes, comuns na capital, estão entre os novos atrativos. No tradicional bairro industrial de César de Souza há condomínios com loteamentos para erguer casas.

Já Suzano sempre teve vocação industrial e ainda atrai esse segmento, enquanto vê o crescimento de bairros residenciais e a atração de novos moradores, que podem pagar menos pelos apartamentos por causa da verba do programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal.

Atrativos. A cidade de São Paulo ainda é líder de lançamentos na região, com 37.815 novas unidades, mas perdeu terreno e hoje só corresponde por pouco mais da metade das novas unidades. O maior crescimento ainda é em cidades vizinhas, como Guarulhos, Alphaville/Tamboré/Barueri e Santo André - esta lançou 2.904 unidades em 2010.

Segundo Luiz Paulo Pompéia, diretor da Embraesp, há uma segunda onda de expansão conforme os terrenos próximos da capital começam a encarecer. Ela abrange cidades cada vez mais distantes e até as que estão fora da Grande São Paulo.

Segundo ele, são vários os atrativos. "As pessoas acabam encontrando unidades maiores e com custo menor, sem o trânsito da capital e com a tranquilidade de uma cidade menor", afirma Pompéia.

Em comparação com São Paulo, um apartamento em Mogi das Cruzes de dois quartos saiu nos últimos cinco anos em média por R$ 110 mil. O valor é muito menor do que a média de uma área nobre de São Paulo, como Moema, onde uma unidade semelhante vale R$ 387 mil, mas não difere tanto do de Itaquera (zona leste): R$ 97 mil.

A Rodovia Ayrton Senna e a linha da CPTM que chegam à região permitem ligação rápida com a capital. A Rodovia Mogi-Bertioga dá acesso ao litoral.

Segundo Flávio Prando, vice-presidente de Habitação do Sindicato da Habitação (Secovi), as construtoras apostam também na valorização dos terrenos que virão com a construção do Trecho Leste do Rodoanel, que passará ao lado de Suzano.

Ele aponta que, além de Mogi e Suzano, Arujá e Itaquaquecetuba tornaram-se alternativa de empreendimentos para a classe média-baixa. Perto da capital, os terrenos caros fazem com que as construtoras apostem em projetos de luxo para que o empreendimento compense.

Crise. O desempenho de 2010 se deu no ano seguinte à crise econômica, quando as vendas foram bastante abaixo do normal. O número anual de novas unidades se mantinha na casa dos 60 mil e caiu para cerca de 53 mil em 2009.

A retomada de investimentos, o momento econômico vivido pelo País e o fato de muitos lançamentos terem ficado congelados durante a crise contribuíram para a explosão de 2010, de acordo com os especialistas.

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