Capital e Grande SP registram noite violenta com 9 mortos e 7 feridos

Policial civil é uma das vítimas; investigador foi baleado por colega ao ser confundido com bandido

Ricardo Valota, O Estado de S.Paulo,

13 de setembro de 2012 | 06h08

Atualizado às 6h20

 

 

SÃO PAULO - A capital e a Grande São Paulo registraram uma noite violenta nesta quarta-feira, 12, com um saldo de nove pessoas mortas e sete feridas. Um dos mortos é um policial civil baleado por um colega de corporação na zona norte da cidade de São Paulo.

 

Zona Sul. Cinco pessoas foram baleadas no final da noite em frente a um bar na altura do número 316 da Rua Estevão Fernandes, na região do Jardim São Luis, na zona sul da capital paulista. Acionados via 190, policiais militares encontraram no local um casal ferido. Os tiros teriam sido disparados por dois desconhecidos que ocupavam uma moto. Três das vítimas foram levadas pela PM para o pronto-socorro do Campo Limpo, onde permaneciam internadas. A caminho do hospital, os policiais foram informados sobre mais duas pessoas baleadas. Dois homens, ainda não identificados, foram encontrados mortos na mesma rua, próximo ao lado onde o casal ferido foi socorrido. Até as 6 horas desta quinta-feira, 13, o boletim de ocorrência não havia sido finalizado no 47º Distrito Policial, do Capão Redondo.

 

Ainda na mesma região, por volta das 4 horas, na Rua Professora Nina Stocco, no Campo Limpo, outras quatro pessoas que também estavam em um bar foram baleadas supostamente por motoqueiros. Duas delas morreram e as outras duas foram levadas para o pronto-socorro do Campo Limpo. Há suspeita de que a autoria dos dois crimes seja a mesma.

 

Ferraz de Vasconcelos. O adolescente José Carlos da Silva, de 17 anos, morreu ao tentar assaltar, às 23 horas, o policial militar A.P.E., do 35º Batalhão, em frente à casa da vítima, no Jardim Nossa Senhora do Caminho, em Ferraz de Vasconcelos. À paisana e conversando com um amigo, o policial foi abordado pelo adolescente José Carlos da Silva, de 17 anos, que estava armado com um revólver calibre 32. Ao sentir a arma na cabeça e se virar, o policial por pouco não foi atingido pelo disparo feito pelo criminoso. No revide, utilizando uma pistola, o policial atingiu o menor, que morreu mesmo sendo levado ao Hospital Santa Marcelina, de Itaquaquecetuba. O outro adolescente, B.F.S., de 16 anos, também foi baleado pelo policial, mas fugiu. Minutos depois foi encontrado caído numa rua próxima. O adolescente permanecia internado no mesmo pronto-socorro.

 

Guarulhos. Por volta das 22h30, policiais militares foram acionados pelo Centro de Operações após moradores do bairro Bonsucesso, em Guarulhos, ouvirem vários disparos. Ao chegarem na Viela Pacata, os policiais encontraram Clebison Nascimento de Oliveira e Adilson Venâncio do Prado baleados em frente à casa número 84. Uma das vítimas morreu no local, a outra no pronto-socorro da região. Não se sabe ainda o motivo e as circunstâncias do duplo homicídio, que foi registrado no 7º Distrito Policial da cidade, pelo delegado Ivan Moisés Elian.

 

Zona Leste. Um homem, ainda não identificado, foi encontrado morto dentro do banheiro de uma das casas, a de nº 1, de um vilarejo localizado na Rua Marechal Renato Paquet, na região de São Mateus, zona leste de São Paulo. A vítima segundo a perícia estava ferida com golpes de faca e marreta. Ambas as armas foram encontradas ao lado do corpo. O caso foi registrado no 49º Distrito Policial, de São Mateus, pela delegada Flávia da Silva Rocha.

 

Confronto. A falta de comunicação entre duas equipes de investigadores da Polícia Civil resultou, na noite de quarta-feira, 12, na morte de um deles durante um tiroteio entre os policiais no Terminal Rodoviário de Cargas Fernão Dias, localizado próximo à rodovia, na região do Parque Edu Chaves, na zona norte da capital paulista.

 

Há menos de dois anos na polícia, Leonardo Andrés Rodrigues Aguiar, de 28 anos, investigador do 90º Distrito Policial, do Parque Novo Mundo, foi ferido por sete tiros disparados por agentes da Divisão de Investigações sobre Furtos e Roubos de Veículos e Cargas (Divecar), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC). Mesmo encaminhado para o pronto-socorro da Vila Maria, o policial não resistiu aos ferimentos e morreu.

 

Segundo o delegado Edvaldo Faria, titular do 90ºDP, Leonardo e um outro investigador da mesma delegacia, estavam de campana na Rua Irineu Portela, no terminal, esperando pelo eventual aparecimento de criminosos responsáveis pelo roubo de um caminhão, abandonado no local, quando perceberam que um grupo de desconhecidos se aproximou do veículo de carga.

 

Os desconhecidos na verdade eram quatro agentes da Divecar que estavam de campana, investigavam o mesmo crime, porém ao lado da vítima, e resolveram abrir o caminhão ao perceberem que nenhum suspeito havia aparecido até aquele momento. Leonardo e o colega dele, ao verem o grupo abrindo o caminhão, realizaram a abordagem, acreditando que iriam prender enfim os criminosos.

 

Teve início então o tiroteio entre os policiais civis. Um dos agentes da Divecar foi baleado de raspão, já Leonardo levou a pior no confronto. O incidente envolvendo os investigadores do Parque Novo Mundo e da Divecar será apurado pela Corregedoria da Polícia Civil. "Foi um infortúnio. Existe sim comunicação entre os policiais, não geralmente num caso como esse.", disse o delegado Faria.

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