Capital deve ter até 20% mais chuva neste ano

Previsão é do Instituto Nacional de Meteorologia, que atribui o fenômeno ao La Niña, o resfriamento das águas do Pacífico

MÁRCIO PINHO , FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2011 | 03h01

O mês de outubro abriu a estação das chuvas (que vai até março) com uma notícia pouco animadora para os paulistanos: choveu 14% acima da média histórica do mês e a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de que esse porcentual se repita pelo menos até dezembro. As estimativas de chuva para janeiro em diante ainda serão elaboradas.

Apenas em outubro, foram 149,6 milímetros de chuva verificados no Mirante de Santana, na zona norte. Essa quantidade é mais do que o dobro da registrada no mesmo período do ano passado, quando a marca ficou em 69,6 mm.

Segundo o meteorologista do Inmet Marcelo Schneider, a tendência é de que chova "de 15% a 20% acima da média" em novembro e em dezembro. O motivo para essa maior umidade é o fato de ganhar força o fenômeno La Niña - processo de resfriamento das águas no Oceano Pacífico.

O frio sentido nas ruas de São Paulo, que só deverá acabar na sexta-feira, é sintoma disso. "Teremos frentes frias mais frequentes no fim de primavera e no início de verão. E entre uma e outra estação, um volume de chuva acima da média. A frente fria encontra o ar quente e úmido da Amazônia, causando temporais", afirma Schneider. Os estudos mostram que a região entre Paraná e Minas será provavelmente a mais afetada no Sudeste.

Essa quantidade maior de chuvas já teve efeito prático na rotina do paulistano. Em outubro, o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) registrou 68 vezes pontos de alagamentos nas vias da cidade. No mesmo período de 2010, foram 36.

Obras. A última vez em que todos os meses do período outubro-março superaram as médias históricas foi entre 2009 e 2010. Os alagamentos castigaram a cidade e a inundação do Jardim Romano (zona leste), que durou dois meses, tornou-se emblemática. A aprovação ao prefeito Gilberto Kassab (PSD) caiu de 46% para 28% em pesquisa do Ibope publicada em janeiro de 2010 pela Rede Nossa São Paulo.

Ontem, Kassab voltou ao Jardim Romano e vistoriou a limpeza do que diz ser o mais moderno dos quatro pôlderes - um tipo de minipiscinão - de São Paulo, construído no ano passado. O equipamento tem bombas que jogam a água da chuva no rio. As ruas do bairro, porém, continuam com pouquíssimas árvores e bueiros e excesso de pavimentação. Outra obra da Prefeitura importante na contenção de enchentes, a troca de galerias da Pompeia (zona oeste), terminará só após o verão de 2012.

Estado. Na estação das chuvas 2010/2011 choveu um pouco menos, mas o suficiente para alagar a cidade em dias de tempestade e deixar a vizinha Franco da Rocha debaixo d'água. Obras foram anunciadas pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), mas apenas o desassoreamento dos Rios Tietê e Pinheiros está em andamento e provocará algum efeito na contenção das cheias neste verão. Muros antienchente no Rio Tietê e piscinões não ficaram prontos. Quatro deles, em Franco da Rocha, devem sair em 2013.

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