Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Capital ainda tem área alagada

Uma das mais afetadas fica em bairro na zona leste onde Prefeitura fez obras antienchente e Kassab comemorou

Diego Zanchetta e Marcela Spinosa, O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2011 | 00h00

Um dia após o prefeito Gilberto Kassab (DEM) elogiar a "eficiência" das obras antienchentes em 16 bairros do Jardim Helena, no extremo leste de São Paulo, parte da região amanheceu ontem submersa. A única parte que ficou seca foi o Jardim Romano, onde o governo construiu um dique na várzea do Rio Tietê. Mas os alagamentos não ficaram restritos à periferia: no Bom Retiro, região central, seis vias permaneciam inundadas.

As águas do Tietê e de outros três córregos invadiram mais de 80 quarteirões entre o Itaim Paulista e Guarulhos. Nas ruas, a profundidade chegou a 1,5 m e continuava a subir no início da tarde na Vila Seabra, perto do Jardim Romano. Nas ruas de terra do Jardim Helena, a locomoção era feita só de barco, como nas chuvas de janeiro de 2010.

Muita gente que perdeu tudo no ano passado resolveu continuar na região com o bolsa-aluguel de R$ 300 mensais pagos pela Prefeitura. Com a assistência financeira, dezenas de famílias desapropriadas da área da construção do dique resolveram ficar perto de parentes, em locais também próximos da várzea do rio. E agora estão sem teto de novo.

"Demoliram minha casa no ano passado, falaram que estava condenada. Com essa bolsa de R$ 300 só consegui alugar um cômodo aqui perto", reclamava Firmino Nascimento, que teve a casa em área de risco derrubada pela Defesa Civil em fevereiro. Ontem, a casa onde ele mora de aluguel alagou de novo. Segundo o governo, não é possível fiscalizar o uso dos benefícios do bolsa-aluguel - são 15 mil famílias que recebem o dinheiro na capital.

Bom Retiro. A chuva que caiu na madrugada de ontem fez parte do bairro do Bom Retiro, na região central, amanhecer, pelo segundo dia seguido, debaixo d"água. Ontem ainda foi dia de limpeza e de se preparar para as chuvas que estão por vir.

Sócio de uma empresa de tecelagem, Maurílio Martins Ferreira, de 37 anos, mandou construir comportas de concreto em duas das três portas de entrada do galpão da fábrica de tecidos na Rua Prates. "A água quase entrou aqui ontem (anteontem)."

Os prejuízos com o alagamento ainda estão sendo contados por moradores e comerciantes. Quinze lojistas devem entrar com ação contra a Prefeitura.

Ontem, Kassab afirmou que a região deve sofrer menos com os alagamentos com o trabalho de desassoreamento do Tietê, conforme anunciou anteontem o governador Geraldo Alckmin (PSDB). "O motivo do alagamento lá foi ocupação indevida da várzea do Tietê, que não deveria ter sido ocupada", disse o prefeito. "Portanto, agora investimentos precisam acontecer, como alargamento das galerias, para atenuar o efeito das chuvas."

Sem trégua. Voltou a chover ontem à noite na capital, mas houve poucos pontos de alagamento. Trecho da Avenida Sumaré, na zona oeste, próximo à Praça Marrey Júnior, chegou a ficar intransitável, mas o nível da água diminuiu por volta das 23h. A Marginal do Pinheiros tinha pontos intransitáveis, como na região da Ponte Cidade Universitária, também na zona oeste.

Havia a possibilidade de mais uma madrugada chuvosa, que poderia ter reflexos pela manhã para os paulistanos.

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