Capela de s. Miguel terá visita guiada

Em um predinho simples de uma praça de São Miguel Paulista, extremo da zona leste da capital, estão escondidas algumas preciosidades arqueológicas, arquitetônicas e religiosas que muitos frequentadores ignoram. A Capela de São Miguel Arcanjo, com as paredes de taipa, sem as reluzentes relíquias das catedrais mais tradicionais, é hoje a igreja mais antiga da capital.

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

19 Março 2011 | 00h00

Depois de uma restauração que levou sete anos, está prestes a ser inaugurado um circuito de visitação que vai contar sua rica história. A capela foi construída em 1622, pelos índios Guaianases catequizados por jesuítas.

É considerada a mais antiga da cidade porque a igreja do Pátio do Colégio, que levaria o título por ter sido fundada em 1554, acabou destruída e reconstruída com modificações. Ali não: 90% das paredes de taipa originais foram recuperadas, assim como as pinturas que as ilustram - a mais célebre está na capa do livro dos 70 anos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), de 2008. Só que não será exposta aos visitantes, por sua fragilidade.

O circuito de visitação será inaugurado amanhã, com a presença do arcebispo emérito de São Paulo, cardeal dom Cláudio Hummes, mas só será aberto ao público na quinta-feira. "Há sete anos, olhamos a capela e nos perguntamos se, de fato, ela guardava a riqueza que todos falavam", explica o padre Geraldo Rodrigues, presidente da Associação Cultural Beato José de Anchieta, responsável pelo projeto. "Hoje, vemos que sim e notamos que a comunidade precisava reocupar logo aquele espaço."

Onze imagens dos séculos 16 a 18 estão entre as peças exibidas no circuito. Além disso, o estudo arqueológico feito no terreno encontrou peças de cerâmica indígena e ossadas que seriam de índios. O resultado dessa pesquisa pode ser conferido no passeio, no alpendre lateral da capela. "Quase todas as igrejas dessa época tinham esses alpendres, mas eles desapareceram nas demais e lá foram conservados", diz Percival Tirapeli, professor de História da Arte Brasileira da Universidade Estadual Paulista. O projeto custou R$ 6 milhões e foi feito pelas mesmas empresas que realizaram o restauro da Catedral da Sé.

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