Cantor do Katinguelê teve de se afastar dos amigos por causa do crack

Cantor do Katinguelê teve de se afastar dos amigos por causa do crack

Já analista de negócios prefere dividir com poucos o passado em que gastava R$ 300 em pedras

Artur Rodrigues, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2012 | 23h01

SÃO PAULO - O crack levou o ex-integrante do grupo de pagode Katinguelê, Nelson Laurindo Júnior, de 42 anos, o Juninho do Banjo, para debaixo do Minhocão. "Cheguei a ficar dois meses sem tomar banho. Pesava 45 quilos", lembra ele, hoje com 76 quilos. Compositor de sucessos dos anos 90, como a música 'Inaraí', Juninho costumava torrar em pedras todo o dinheiro dos direitos autorais.

Depois de sete anos de crack, passou a primeira noite sem drogas amarrado a uma cama. Foi levado pela família a uma clínica no interior, onde buscou na reza o conforto. "Era terrível, eu tinha muitos sonhos com droga, o gosto vinha na boca. Era como se meu corpo estivesse cheio de pulgas, coçava, estourava caroço, saíam feridas. Isso durou um mês", relata.

Passaram-se 12 anos. "Uma coisa que foi muito eficaz na minha recuperação foi se afastar: me afastei de todos amigos. Minha vida era família e igreja." Hoje, mora com a mulher e três filhos em Arujá e atua como evangelista da igreja Tabernáculo de Deus.

'Hoje, não troco meu pior dia limpo'

Analista de negócios de uma multinacional, R., de 33 anos, divide seu passado com poucos. Ele prefere que só os íntimos saibam do período em que chegava a gastar R$ 300 diários em pedras. "Minha mulher ia trabalhar e eu ficava o dia inteiro usando drogas. Usava 24 horas", conta ele, há dois anos longe do crack.

Antes de conseguir livrar-se da droga, passou por vários tratamentos, teve recaídas e até tentou o suicídio. Em uma chácara, enfrentou a abstinência com ajuda de vários medicamentos e assistência psiquiátrica. "Agora, levo uma vida normal. Não troco meu pior dia limpo pelo meu melhor dia no uso", conta.

Já o almoxarife Rafael Rodrigues, de 26, está sem fumar crack há dois anos e cinco meses. Nos piores momentos do vício, até a família chegou a virar-lhe as costas. "Como pegava coisas na casa da minha mãe para vender, fingiam que não ouviam quando eu batia na porta", conta. Foi a mulher dele, na época namorada, quem levou o rapaz para a clínica onde passou 18 dias. E saiu fortalecido de lá.

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