Cantareira vai a 8,2%, nível igual ao início do uso do volume morto

Sabesp tem enfrentado dificuldades para captar água do fundo das represas; companhia nega problema

O Estado de S. Paulo

20 Setembro 2014 | 13h43

Atualizada às 16h01

SÃO PAULO - O nível do Sistema Cantareira, que abastece a maior parte da Grande São Paulo, chegou neste sábado, 20, a apenas 8,2% de sua capacidade, mesmo patamar de quando a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) passou a considerar a captação de 182,5 bilhões de litros do chamado volume morto, a reserva profunda das represas, no dia 15 de maio.

Inédita no manancial, a retirada do volume morto começou efetivamente no início de junho, quando o volume útil, que é a água represada acima do nível das comportas da Sabesp, zerou nas represas Jaguari-Jacareí, entre Bragança Paulista e Joanópolis, os dois maiores reservatórios do sistema. Desde então, o nível do Cantareira só caiu, atingindo neste sábado, 80 bilhões de litros.

Com o agravamento da seca no manancial, que desde janeiro tem registrado mensalmente uma vazão afluente abaixo das mínimas históricas em 84 anos de medições, parte da Represa Jacareí, em Joanópolis virou um córrego, próximo ao trecho do túnel de captação da Sabesp e onde foram instaladas as bombas flutuantes para retirar o volume morto. Esse cenário tem dificultado a retirada da reserva, como mostrou o Estado neste sábado

Especialistas em hidrologia apontem que essa primeira cota do volume morto deve se esgotar na primeira quinzena de novembro. Em junho, conforme o Estado revelou, a Sabesp chegou a prever o fim da reserva em 27 de outubro, mas, à época, a quantidade de água retirada dos reservatórios era superior aos 22,6 mil litros por segundo registrados neste mês, dos quais 19,1 mil litros por segundo são destinados para abastecer cerca de 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo. O restante atende a aproximadamente 5 milhões de moradores da região de Campinas.

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