LUIS MOURA
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Cantareira tem metade das chuvas previstas

Em relação a março, entrada de água no sistema foi 59% menor e se aproximou do recorde negativo de 2014

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

01 de maio de 2015 | 03h00

Após dois meses chuvosos que ajudaram a recuperar 14% da capacidade do Sistema Cantareira, a seca extrema voltou a castigar em abril o maior manancial paulista. A entrada de água nos reservatórios que ainda abastecem 5,4 milhões de pessoas só na Grande São Paulo caiu 59% no mês passado, na comparação com março, e se aproximou do recorde negativo registrado em abril de 2014, deixando as autoridades mais pessimistas em relação ao futuro do Cantareira.

Segundo boletim divulgado pela Agência Nacional de Águas (ANA), a vazão afluente média (água que chega nas represas pelos rios e pelas chuvas) ao sistema em abril foi de apenas 15,6 mil litros por segundo, ante 38,1 mil l/s registrados em março, que foi o índice mais alto desde março de 2013. O volume de água que não entrou seria suficiente para abastecer 6,7 milhões de pessoas e equivale, no mês, a 6% da capacidade do sistema. Na média observada desde 1930, a queda de vazão entre março, que é o último mês chuvoso, e abril, o primeiro de seca, é de apenas 27%. 


O balanço frustra as expectativas dos gestores da crise dos governos Dilma Rousseff e Geraldo Alckmin (PSDB), que acreditavam que a estiagem severa no manancial havia acabado após dois meses consecutivos com chuvas acima da média e vazões até quatro vezes maiores do que no mesmo período em 2014. Em abril, contudo, a entrada de água nas represas ficou 64% abaixo da média (43,2 mil l/s) e muito próxima da registrada no mesmo período no ano passado (13,5 mil l/s), que foi o pior abril em 84 anos.

A explicação para esse cenário é que as chuvas desapareceram. Segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), choveu no Cantareira em abril apenas metade dos 89,8 mm previstos (45,3 milímetros). Em março, por exemplo, a pluviometria acumulada foi de 206 mm e em fevereiro, de 322,4 mm. O saldo no mês passado foi pior até que abril de 2014, quando choveu na região dos reservatórios 85,7 milímetros.

Em queda de novo. O cenário fez com que o nível do Cantareira voltasse a cair nesta semana após 85 dias. Nesta quinta-feira, o índice sofreu nova queda e chegou a 19,9% da capacidade, considerando as duas cotas do volume morto, a reserva profunda dos reservatórios. Na prática, porém, o manancial operava nesta quinta com -9,3% da capacidade original, por causa dos 91,7 bilhões de litros captados da primeira cota do volume morto e ainda não recuperados. 

A situação é mais crítica do que a Sabesp havia previsto como pior cenário para abril de 2015 no plano de contingência enviado para a ANA em outubro de 2014. Na ocasião, a companhia previa que o Cantareira chegaria nesta época com, no mínimo, -5% da capacidade. Em nova projeção feita pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), o governo Alckmin também previa um resultado melhor: -6%. 

A Sabesp não conseguiu conter nova queda do nível do Cantareira mesmo com a intensificação do racionamento feito por meio da redução da pressão da água e do fechamento manual da rede, que têm deixado diversas regiões na seca durante a maior parte do dia. 

A retirada de água do Cantareira feita pela Sabesp caiu de 14 mil l/s, em março, para 13,5 mil l/s em abril, índice 58% menor do que os 32 mil l/s retirados do manancial em janeiro de 2014, quando a crise de estiagem no sistema foi declarada pela companhia. Estimativas feitas por técnicos do governo Alckmin apontam que, se a seca registrada na segunda quinzena de abril persistir, a segunda cota do volume deve acabar em novembro. Mesmo assim, o governo descarta decretar rodízio neste ano.

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