Cantareira se une contra obra do Rodoanel

Moradores organizam protesto porque temem que Trecho Norte desvalorize imóveis e prejudique meio ambiente

Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2010 | 00h00

Moradores de conjuntos habitacionais na Serra da Cantareira querem barrar a construção do Trecho Norte do Rodoanel. Eles reclamam do traçado proposto pelo governo do Estado, que passará ao lado de casas e edifícios. Temem desvalorização dos imóveis, impactos na reserva ambiental e a poluição de represas que abastecem parte da Região Metropolitana de São Paulo. Defendem que a ligação entre os trechos Leste e Oeste seja feito pela Rodovia D. Pedro I.

Para manifestar a preocupação com a construção de pistas em plena reserva ambiental na Cantareira, o movimento SOS Cantareira organiza uma passeata hoje. A concentração será na Praça Dona Mariquinha Sciascia, no Tremembé, zona norte, às 14 horas. No dia 16 de dezembro será realizada em São Paulo uma audiência pública para discutir os impactos da obra.

Os moradores do conjunto habitacional de alto padrão Jardim Itatinga, no bairro Pedra Branca, ao lado do Horto Florestal, verão as novas pistas a menos de cem metros. "As pistas vão virar um Minhocão na Cantareira. Os estudos ambientais apresentados são muito pobres, genéricos. Não mostram o impacto real para a população vizinha", critica a médica Elea Gomes de Vasconcelos Ikehara, ex-síndica do conjunto habitacional.

Como alternativa do Trecho Norte proposto pelo Estado, os moradores da Cantareira defendem a utilização da Rodovia D. Pedro I para fazer a interligação entre os Trechos Oeste e Leste da estrada. "Há estudos que mostram que com R$ 1 bilhão você define a interligação entre os Trechos Oeste e Leste. E não precisa de R$ 5,3 bilhões para fazer o Trecho Norte. Com o Trecho Norte vão na contramão da história e os mananciais que abastecem São Paulo correm risco."

O conjunto habitacional Jardim Itatinga começou a se formar em 1995. Há lotes e casas de vários tamanhos, todos de alto padrão. São 125 casas. Algumas em áreas de 250 m² e outras em terrenos quatro vezes maiores. Chegam a custar cerca de R$ 900 mil, mas há outras que superam R$ 3,5 milhões. Estima-se que as obras e depois as pistas poderão desvalorizar os imóveis em pelo menos 50%.

Outra moradora no Itatinga, Simone Correia das Chagas, afirma que o projeto mostra que nos fundos do residencial haverá a entrada de um túnel e uma ponte do Rodoanel. "Mas não sabemos exatamente como isso afetará a Cantareira e muito menos os moradores. Podemos ficar isolados ou haver um adensamento com mais gente vindo morar nas áreas vizinhas do Rodoanel."

O estudo de impacto ambiental mostra que as obras e o Trecho Norte vão causar "processos de desvalorização imobiliária pela redução das possibilidades de acesso futuro em áreas de expansão urbana situadas ao norte do traçado, acarretada pela ruptura da malha urbana".

Esse estudo precisa ser aprovado pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente para que a obra, de R$ 5,3 bilhões, seja autorizada. A previsão é que o Trecho Norte fique pronto em 2014, com início de obras em 2011. As pistas terão 44 km de extensão.

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