Nilton Cardin
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Cantareira fecha maio no vermelho

Após 3 altas, diferença entre a quantidade de água que entrou e saiu foi negativa em 2 mil l/s

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

31 Maio 2015 | 23h00

Após três meses consecutivos no azul, o Sistema Cantareira voltou a registrar déficit no seu estoque de água em maio. Boletim divulgado pela Agência Nacional de Águas (ANA) mostra que a diferença entre o volume que entrou e o que saiu do manancial no segundo mês seco do ano ficou negativa em 2 mil litros por segundo, o equivalente ao consumo de 800 mil pessoas – uma cidade do porte de São Bernardo do Campo – na atual situação de racionamento na Grande São Paulo. 

Os números revelam que a queda do Cantareira em maio (5,3 bilhões de litros a menos) foi motivada por dois fatores. Primeiro, a vazão afluente ao sistema (água que chega nas represas pelos rios e pela chuva) foi 31,7% menor do que em abril, que já havia sido extremamente seco (10,6 mil l/s ante 15,6 mil l/s). Por outro lado, a quantidade de água retirada dos reservatórios foi 3,7% maior (12,6 mil l/s ante 12,2 mil l/s), por causa do volume liberado para o interior, que dobrou no período.

A situação fica ainda mais crítica porque, pelo segundo mês seguido, o volume de água que entrou nos reservatórios ficou mais de 60% abaixo da média histórica mensal e muito próximo do recorde negativo registrado em 2014, o ano mais seco em 84 anos. 

Em maio do ano passado, a vazão afluente foi de apenas 7,3 mil l/s. Como a retirada atingiu 23,3 mil l/s, o déficit chegou a 42,9 bilhões de litros no mês em que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) começou a captação do volume morto.

Historicamente, o sistema recebe em junho um volume de água 8,6% menor do que em maio. A queda na vazão persiste até agosto, o mês mais seco do ano, e só volta a subir a partir de setembro. Neste mês, porém, a Sabesp terá de aumentar, se necessário, a vazão liberada para o interior em até 107% (de 1,7 mil para 3,5 mil l/s) por determinação da ANA e do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), órgãos reguladores do manancial.

A medida atende ao pleito das cidades da região de Campinas, onde 5,5 milhões são abastecidos pelos rios que saem dos reservatórios operados pela Sabesp. Nos meses de estiagem, a vazão dos rios cai, sendo necessário aumentar a liberação de água das represas. Isso deve fazer com que o estoque caia em uma velocidade maior em junho do que foi em maio. 

Obras. Neste mês, a Sabesp pretende concluir duas obras para reduzir a dependência da região metropolitana em relação ao manancial em crise. A primeira é a transposição de 1 mil l/s do Rio Guaió para o Sistema Alto Tietê e a segunda é a ampliação da capacidade de produção do Sistema Guarapiranga de 15 mil para 16 mil l/s.

A partir de setembro, a Sabesp deverá reduzir o limite de captação do Cantareira dos atuais 13,5 mil l/s para 10 mil l/s. Para cumprir a norma sem ter de decretar rodízio, a Sabesp terá de concluir a obra de transposição de 4 mil l/s do Sistema Rio Grande, braço limpo da Billings, para o Alto Tietê. Prometida para maio, a obra está três meses atrasada. 

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