Candidato a reitor da USP já apoia rival

Ex-diretor da Poli mantém chapa, mas recomenda voto em ex-pró-reitor que ficou em 1º lugar em consulta; eleição será realizada nesta quinta-feira, 19

Paulo Saldaña e Victor Vieira, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2013 | 02h05

A eleição para a escolha do novo reitor da Universidade de São Paulo (USP) ocorre hoje com a lista tríplice a ser encaminhada para o governador Geraldo Alckmin (PSDB) praticamente definida. Um dos quatro candidatos, José Roberto Cardoso, divulgou apoio a Marco Antonio Zago. Pró-reitor de Pesquisa licenciado, Zago foi o mais votado na consulta feita a alunos, professores e funcionários, realizada na semana passada.

Cardoso, diretor licenciado da Escola Politécnica - o menos votado na consulta - não retirou sua candidatura, mas informou em carta que a tendência mostrada nas urnas é "clara". Ao Estado, disse que o apoio é consequência disso. "Os resultados mostram que a comunidade acadêmica tem o professor Zago em alta conta e sua chapa tem aderência com as nossas propostas", afirmou.

A votação será realizada entre 9h e 13h em todos os câmpus da instituição. Participam da eleição 2.138 eleitores, sendo 85% de professores. O resultado deve ser conhecido até a meia-noite de hoje.

Esta eleição acontece depois de mudanças nas regras, aprovadas em outubro. Foi a primeira vez que houve consulta à comunidade, apesar de ser apenas indicativa. Além disso, os votantes já definirão a lista tríplice - no modelo antigo, havia um segundo turno em que participavam 330 professores.

Cabe ao governador a escolha, entre as três chapas, de quem vai comandar a universidade por quatro anos. Com orçamento em torno de R$ 4 bilhões, a USP é a melhor universidade do País e responsável por 25% da pesquisa nacional.

Candidatos. Zago afirmou que nada está ganho, mas a posição de Cardoso é positiva. "Mostra proximidade dos programas. Eleição só se ganha no dia, as coisas podem mudar. Mas quando olhamos os resultados da consulta, fomos muito bem." Zago teve 6.678 votos e foi o mais votado entre os docentes.

Segundo colocado na consulta, o ex-superintendente de Relações Institucionais Wanderley Messias disse que, após a formação da lista, começa um "terceiro turno", à espera do posicionamento de Alckmin. "É outra campanha, um trabalho que vai ser feito. É legítimo que os candidatos se movimentem."

Messias é apoiado oficialmente pelo atual reitor João Grandino Rodas. Para ele, isso pode ajudar na decisão de Alckmin. "Acho que (esse apoio) é decisivo, tendo em vista que o reitor atual é o que mais se preocupou em definir projetos e planos que tivessem repercussão para os interesses da população."

Caso a recomendação de Cardoso se reflita na votação, o outro nome da lista será o do ex-vice-reitor Hélio Nogueira da Cruz, que ficou em terceiro na consulta. Para ele, um dos maiores problemas da campanha foi o uso da estrutura administrativa para manifestar apoio aos candidatos, tanto da situação quanto da oposição. "A proposta de sair dos cargos após a inscrição era justamente para evitar o mau uso da máquina pública", afirmou. "O padrão ético nunca esteve tão baixo na universidade", disse Cruz.

O reitor não se manifestou sobre os comentários. A Assessoria de Imprensa da USP informou que os veículos de comunicação da instituição não foram usados para promover chapas.

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