Campus da USP ganha bilhete único próprio

Cartão permite gratuidade de ônibus a alunos

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2012 | 03h03

O sistema de transporte público da Cidade Universitária, na zona oeste de São Paulo, vai mudar. A partir do próximo dia 27, quando recomeçam as aulas na Universidade de São Paulo (USP), alunos, professores e funcionários receberão um bilhete único exclusivo para ser usado nas duas linhas de ônibus circular do local, que passarão a ser gerenciadas pela São Paulo Transporte (SPTrans), da Prefeitura.

Os coletivos também começarão a ir até a Estação Butantã do Metrô - atualmente, o serviço se restringe ao interior do câmpus.

Usados por 12 mil pessoas diariamente, os ônibus circulares permanecerão grátis, mas só para quem tiver o novo cartão, denominado Bilhete USP (Busp). Hoje, qualquer pessoa, mesmo quem não estuda ou trabalha na instituição, pode usar o transporte sem pagar.

Serão 14 ônibus por linha, atendendo um percurso de 18 quilômetros de extensão. O tempo estimado de viagem é de 48 minutos. "O atendimento será diuturno (ao longo do dia e da noite). Hoje, as linhas da USP só funcionam durante o dia, já que os portões são fechados à noite", diz Adriana Schneider, assessora técnica da SPTrans.

O atendimento começará por volta das 4h e vai até depois da meia-noite, horário similar ao de funcionamento do Metrô. Não haverá mudanças nas outras linhas da SPTrans que atendem o câmpus.

Exclusivo. Schneider diz que é a primeira vez que outro sistema de bilhetagem é usado em coletivos da SPTrans. O Busp só será aceito nessa frota. Os ônibus terão um adesivo no para-brisa indicando que o novo cartão pode ser usado neles.

Segundo o reitor da USP, João Grandino Rodas, que firmou ontem o convênio do programa com a SPTrans, ao menos 65 mil cartões serão entregues. Desses, 50 mil estão prontos. "Só não temos os dos calouros, porque não temos os nomes completos. Mas assim que as matrículas estiverem todas fechadas, mais um período de uns 15 dias, vamos tê-los", explica o reitor.

A distribuição será feita pelas unidades de ensino, a partir da semana que vem.

Os circulares antigos, administrados pela Coordenadoria do Campus da Capital, continuarão rodando com a mesma frequência até o fim de março, a fim de que haja garantia de transporte livre a todos os estudantes. Depois, esses ônibus serão realocados para uma nova linha circular, prevista para ter um caráter mais cultural e atender principalmente o percurso entre os museus da Cidade Universitária.

O coordenador do câmpus, José Sidnei Colombo Martini, afirmou que uma das vantagens do novo modelo é reduzir o intervalo dos circulares de 20 para 4 minutos. Além disso, o serviço de ônibus vai custar menos à instituição. "Hoje, cada ônibus custa, para a universidade, R$ 44 mil por mês. O custo do ônibus da SPTrans vai ser de R$ 41 mil", explica Martini.

Reação. Alunos e funcionários da Cidade Universitária ouvidos ontem pela reportagem criticaram a adoção do Bilhete USP. "O acesso à universidade vai ficar ainda mais restrito. Ela está ficando cada vez mais fechada a quem é de fora", disse a estudante de Letras Giovanna Marchetti, de 19 anos.

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