Campos são alugados e bares promovem festas

No clube do Jardim Guaraú, coordenador construiu casa em cima de lanchonete, onde mora com a família

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2014 | 02h14

No Jardim Guaraú, um dos bairros mais pobres na região da Brasilândia, zona norte de São Paulo, o clube desportivo da comunidade ganhou uma quadra de futebol de areia em 2011, construída pela Prefeitura ao custo de R$ 50 mil. Mas quase ninguém joga bola ali, onde funciona um bar que permanece aberto o dia todo e tem rodas de samba aos sábados.

Na segunda-feira, a reportagem esteve no centro desportivo da comunidade (CDC) e conversou com dois coordenadores do espaço, que estavam no bar que funciona no local. Um deles construiu dois cômodos acima do bar e mora no próprio clube com a família. Não havia ninguém na quadra de futebol de areia. "Campinho de areia não 'tá' com nada, ninguém gosta. Ainda mais com esse calor", disse Fábio Ferreira, de 26 anos, que tenta alugar o campo nos fins de semana.

Por volta das 11 horas, um caminhão de bebidas chegou para fazer a reposição semanal no bar. "É muita cerveja aqui no fim de semana. O samba come solto até a meia-noite no sábado", disse Ferreira.

Não é o único caso de um CDC que virou espaço para shows de samba. O clube Senhor do Bonfim, na Vila Penteado, também na zona norte, anuncia em faixa logo na entrada rodas de pagode a partir do dia 7, às 18h, no espaço onde existe uma quadra esburacada e com o alambrado destruído.

Boteco. Na zona leste, na região de Cidade Líder, o movimento no CDC União do Morro é principalmente no Paulinho's Bar, que funciona dentro do clube. O campo passa a maior parte do dia vazio. A Prefeitura chegou a pagar dois instrutores para dar aulas de futebol e atividades de recreação durante as férias, mas apenas 15 crianças e adolescentes procuraram o espaço entre o início de dezembro e o fim deste mês. Segundo as instrutoras, como o governo não oferece refeição, os alunos não têm como passar o dia praticando esportes no local.

No Jardim Iporanga, na zona sul, um CDC é comandado por times de várzea da região, como o Milicianos e o Bola Mais 1 Futebol Clube. Ali, os bailes funk eram frequentes até 2012, segundo vizinhos.

"O baile de sábado parou após muitas reclamações, era muito barulho de madrugada. O clube fica fechado a semana inteira, só abre quando tem rodada de fim de semana dos times do amadorzão, mas tem o aluguel do campo para quem quer usar. Como ninguém consegue juntar uma turma inteira para pagar, o campo fica vazio nos dias de semana", conta a dona de casa Maria das Graças Ribeiro, de 56 anos, que é a favor dos "rolezódromos".

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