Campo de Marte: 27% mais voos em 5 anos

Pista, porém, não opera por instrumentos, o que sobrecarrega outros aeroportos

Luiz Guilherme Gerbelli, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2010 | 00h00

Pista lotada. Número de passageiros também aumentou, em 92%, no Campo de Marte

O Campo de Marte, na zona norte da capital, registrou entre 2004 e 2009 um aumento de 27% em suas operações (pousos e decolagens), além de um acréscimo de 92% no número de passageiros. O crescimento do movimento é preocupante, segundo especialistas em aviação civil, pois o aeroporto não opera por instrumentos, o que sobrecarrega outros aeroportos, como Viracopos, em Campinas, Jundiaí e São José dos Campos.

Mais antigo aeroporto da cidade e quinto maior do País, o Campo de Marte se tornou uma peça importante para a logística da aviação brasileira desde a crise aérea, pois recebe aeronaves de pequeno porte, que foram limitadas em Congonhas. Dados da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), estatal que administra os aeroportos do País, mostram que as operações subiram de 82.362 em 2004 para 104.502 no ano passado. Já o número de passageiros passou de 162.220 em 2004 para 312.460 no ano passado. Dados do primeiro trimestre deste ano revelam que o movimento deverá ser ainda maior em 2010. Até março foram 28.391 voos ante 23.694 no mesmo período do ano passado, variação de 17%.

Instrumentos. As decolagens no Campo de Marte chegaram a ser feitas com aparelhos, mas o uso foi suspenso há três anos, pois havia interferência no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, Grande São Paulo.

Na impossibilidade de pousar no local, o que ocorre em dias de pouca visibilidade, os voos são transferidos para Viracopos, em Campinas, Jundiaí e São José dos Campos. Mesmo com movimento menor que o Campo de Marte, esses três aeroportos operam por instrumentos e podem receber os voos em dias de mau tempo.

Com os instrumentos, o avião consegue chegar à cabeceira da pista eletronicamente. Para efeito de comparação, em Cumbica, o equipamento direciona a aeronave até que ela esteja a 400 metros do ponto de pouso. Em Congonhas, a distância é de 800 metros. "O Campo de Marte se torna uma válvula de escape limitada porque não opera por instrumentos", diz o chefe do Departamento de Engenharia de Transporte da Escola Politécnica, Nicolau Gualda. O aeroporto se destaca por ter parte da frota das polícias Militar e Civil.

De acordo com o vice-presidente da Associação Brasileira de Aviação Civil (Abag), Ricardo Nogueira, em Brasília já é testada uma tecnologia de navegação baseada em performance, que controla o tráfego aéreo com mais precisão. "Com essa técnica, permite-se que o espaço entre as aeronaves no ar seja diminuído e o espaço aéreo otimizado", afirma. Ela também possibilita que os instrumentos de aeroportos não interfiram um no outro, o que seria a solução para o Campo de Marte.

TRÊS PERGUNTAS PARA...

Nicolau Gualda

ENGENHEIRO DA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

1. Qual a importância do Campo de Marte?

O local é conhecido por ser uma grande oficina de manutenção de aeronaves pequenas no Brasil, onde também estão vários fabricantes de helicópteros e jatos.

2.

Para evitar a saturação do Campo de Marte, São Paulo precisa de um terceiro aeroporto?

Um outro aeroporto é muito difícil de se implantar em São Paulo. O porte internacional, por exemplo, exige duas pistas independentes. Também é preciso pensar em uma área de 20 quilômetros quadrados e em um local com acesso fácil.

3.

Qual a solução para o transporte aéreo em São Paulo?

Congonhas e Cumbica estão no limite. Mas pode-se aumentar a capacidade de Viracopos, em Campinas, que é a grande reserva nacional. Mas é preciso de vontade política para investir lá.

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